O exemplo de Estevão

Mostrar, através do exemplo de Estevão, que Cristo quer que tenhamos um viver correto e comprometido com sua pessoa e sua Palavra.
Introdução:
Estivemos, durante esse mês de janeiro, falando à Igreja sobre uma das áreas da nossa missão, a proclamação. Agora neste mês de fevereiro estaremos pregando sobre o testemunho.
Assim sendo, é necessário que nós todos, enquanto Igreja, tenhamos consciência do que seja uma igreja que testemunha o senhorio de Cristo.
Para isso se faz necessário definirmos o que é testemunho.
TESTEMUNHO é a marca distinta que cada Cristão mostra ao mundo, através de atos sacrificiais que apontem para Jesus Cristo como Senhor da vida.
Outras Definições:
1. Testemunho é o compromisso diante de Deus em expressar o que ele fez, o que Deus quer e o que ele é; 2. É mostrar a obra de Deus na nossa vida; 3. É viver de tal forma a mostrar a pessoas de Cristo na nossa vida; 4. São atos de sacrifício praticados pela fé e por amor a Jesus.
Isso trás algumas implicações na nossa maneira de viver.
Em primeiro lugar, mostra que o testemunho envolve ética e caráter. Isto é, a forma pela qual vivemos o nosso dia a dia; qual a nossa conduta diante da sociedade em que vivemos.
Em segundo lugar, mostra que enquanto a proclamação aponta verbalmente para Cristo, o testemunho aponta silenciosamente para Cristo. Mostramos ao mundo através de atos praticados que amamos ao Senhor Jesus, isto sem precisar verbalizar, os nossos atos falam!!!!!
Em terceiro lugar, mostra que quando testemunhamos de Cristo ao mundo que jaz no pecado, estamos sendo uma extensão de Cristo no mundo, isto é, somos continuadores da sua obra. E nesse sentido podemos dizer que a nossa atuação como cristãos envolve martírio e sacrifício. É uma filosofia de vida que aponta para a necessidade que temos de não nos omitir diante dos problemas e das perseguições que viermos a enfrentar.
Diante deste contexto, eu gostaria que você abrisse a sua bíblia e juntos pudéssemos ler o texto que narra a morte daquele que foi o primeiro mártir da igreja primitiva; aquele que não se omitiu; aquele que foi fiel até a morte; aquele que perseverou!
Atos 7:54-60
Mas quem era Estevão?
Estêvão foi um dos sete homens escolhidos pelos discípulos pouco depois da ressurreição de Cristo para cuidar da distribuição da assistência às viúvas da igreja, a fim de que os próprios apóstolos pudessem ficar com o tempo mais livre para as sua tarefas espirituais. Estevão era um desses diáconos e era alguém que se destacava dos demais na fé, na graça, no poder espiritual e na sabedoria. Ele era alguém que realizava muito mais do que a obra especial que lhe fora designada, pois salientava-se entre os principais na operação de milagres e na pregação do Evangelho. Por causa de todo esse comprometimento com Cristo, logo se tornou alvo dos judeus, que o levaram perante o Sinédrio sob a acusação de blasfêmia (At. 6:9-14). Ele responde as acusações, fazendo uma rememorização da história de Israel e com muita intrepidez, faz um ataque aos judeus que se apegavam as tradições de seus pais e que haviam assassinado o Messias prometido (At. 6:15 – 7:53). Isso atraiu contra ele a fúria dos membros do Sinédrio, e, quando Estevão afirmou que Jesus estava de pé à mão direita de Deus, foi agarrado e apedrejado até morrer.
Transição: Diante do texto lido, o que podemos aprender através do exemplo de Estevão? Vejamos três características que esse servo de Deus possuía.
Em primeiro lugar aprendemos que Estevão era um servo cheio da Palavra de Deus:
Ele era um profundo conhecedor não só das Escrituras, como também da história do povo de Israel. Na sua defesa ele passa em revista toda a história de Israel. No capítulo 07, do versículo 01 até o 53, ele faz uma retrospectiva sobre o povo de Israel. Em seu discurso, ele não responde diretamente às acusações que encontramos em At. 6:11-14. A sua defesa apresenta o universalismo do Evangelho que marca o meio termo entre Pedro (que baseou sua pregação aos judeus) e Paulo (que pregou especificamente aos gentios). Alguns argumentos vão irritar profundamente os seus acusadores: Deus não limita seus encontros com os homens/mulheres ao templo de Jerusalém; Ele mostra também que as primeiras e grandes revelações de Deus ocorreram em terras estranhas (Ur, Harã, Egito, Sinai, etc). Por isso Estevão limita a sua narração da história gloriosa de Israel entre Abraão e Salomão, que construiu o templo; Estevão vai mostrar também que o povo de Israel sempre foi rebelde, rejeitando os profetas e finalmente crucificando o Cristo.
Em toda a sua argumentação, Estevão mostra ser um profundo conhecedor das Escrituras. Alguém que conhecia os grandes feitos de Deus na vida do povo de Israel. Isso lhe trazia autoridade, mas trazia também a fúria daqueles que não conseguiam enxergar o nascimento de um novo jeito de adorar a Deus; De um novo jeito de viver, não mais pela lei, mas pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo, unicamente!
Eu gostaria de convidar você a seguir o exemplo de Estevão, e ser cada vez mais um conhecedor da Palavra de Deus!
Em segundo lugar aprendemos que Estevão era um servo cheio do poder do Espírito Santo:
E isso fica bem claro no versículo 55, quando o texto nos diz que ele cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus, e Jesus, que estava a sua direita.
Fica muito claro para todos nós nessa noite, que diante das perseguições, a Trindade Santa sustenta o crente fiel. É nesse momento que o espírito Santo, o nosso consolador, nos auxilia; é nesse momento que o Espírito Santo nos enche com sua paz; É nesse momento que o Espírito Santo ministra sobre a nossa vida. Quando mantemos intimidade com a Trindade, temos a oportunidade de sentir o transbordar do Espírito sobre as nossas vidas, nos capacitando para enfrentar as situações mais adversas da nossa vida. É nesse momento também que a glória de Deus se manifesta sobre a nossa vida, trazendo firmeza no testemunhar. Testemunhamos, declarando que a nossa fé está no nome daquele que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus, o Cristo, é o Senhor! O mesmo Jesus que de pé, exaltado, abre os céus para receber aquele que fora fiel, se colocando como sua testemunha ou advogado em sua defesa diante do Pai; Para receber aquele que não se omitiu.
Eu gostaria de convidar você a seguir o exemplo de Estevão e ser alguém cheio do poder do Espírito Santo, e realmente fazer diferença na vida das pessoas!
Em terceiro lugar aprendemos que Estevão era um servo cheio de esperança e amor:
Os versículos 56 e 60 nos dão essa idéia. Primeiramente Estevão era um servo cheio de esperança. Alguém, que no momento mais crucial da sua vida, coloca todas as suas esperanças no seu Senhor. É nesse momento que Estevão vê os céus abertos e o Filho do Homem em pé a destra de Deus. Interessante notarmos que esse título dado a Jesus, como Filho do Homem, por Lucas, só é usado pelo próprio Cristo.
Esperança era a palavra de ordem para Estevão e também para nós nesta noite! Com esperança conseguimos ver os céus abrirem; Conseguimos ver a Jesus e sermos servos comprometidos com a mudança da vida daquelas pessoas que estão vivendo num mundo de trevas. Quando a esperança toma conta da nossa vida, conseguimos ser bênção para outras pessoas; Quando a esperança toma conta de nós, podemos ser uma igreja para o mundo. Sem esperança não há condições de realizarmos a obra que o próprio Cristo nos confiou. Sem esperança perdemos o gosto perla vida! Porém, se a esperança tomar conta de nós, mudaremos o nosso mundo e assumiremos o papel de comunidade da esperança. Afinal de contas somos um povo que crê na esperança! O exemplo de Estevão para nós nesta noite diz respeito a isso. De sermos uma igreja com esperança! De sermos uma igreja que faça diferença nesse mundo tão cheio de desesperança. Mas Estevão não era cheio somente de esperança, ele era cheio também do amor que havia transformado a sua vida. Ele demonstrou muito amor aos seus opositores, aquelas testemunhas que o levaram ao Sinédrio, e que agora deveriam apedrejá-lo até a morte.
É nesse momento de martírio e sofrimento que Estevão invoca ao seu Senhor e clama para que Jesus receba o seu espírito. Como Jesus, Estevão clama em alta voz: Senhor não lhes imputes este pecado! Ele morreu como Cristo, o seu exemplo!
Paulo nos dá uma dica em relação a este tema: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três: porém o maior destes é o amor” (I Cor. 13:13). E o próprio Senhor Jesus nos convida “a amarmos uns aos outros, como ele mesmo nos amou”.
Esperança e amor! Eu gostaria mais uma vez de convidar você a seguir o exemplo de Estevão e ser alguém cheio de amor e esperança. E que esse amor e que essa esperança possa inundar o seu coração para que você seja feliz; Para que você seja canal de bênção para aqueles que vivem em desesperança e desamor.
Conclusão:
Eu gostaria de concluir com uma frase de um grande defensor da fé cristã, do 2º século, de nome Tertuliano. Ele disse que “o sangue dos mártires é a semente da igreja”. Talvez não conheçamos a verdadeira história do cristianismo. Talvez essa história ainda não foi contada sob a ótica dos mártires. Precisamos ter consciência de que somos herdeiros de uma história de homens e mulheres que deram suas vidas para que o evangelho pudesse chegar até nós. Precisamos aprender a honrar essa história.
História essa que teve Estevão apedrejado, Pedro que morreu crucificado de cabeça para baixo, por dizer não merecer morrer como seu mestre; Tiago que foi decapitado por Herodes Agripa, cerca de dez anos após a morte de Jesus;
André foi crucificado numa cruz transversalmente, daí o termo “Cruz de Santo André”, porque sua cruz era em forma de um X. Já Filipe sofreu martírio em Hierápolis. Foi açoitado, trancado em uma prisão e posteriormente crucificado em 54dC. Bartolomeu serviu como missionário na Armênia e em vários países. Traduziu o Evangelho de Mateus para a língua Índia e o propagou naquele país. Na Armênia foi golpeado até a morte. Tiago pregou na Palestina e no Egito e aos 94 anos foi surrado e apedrejado pelos judeus; e finalmente teve seu cérebro despedaçado. Paulo pregou diligentemente o evangelho a muitas nações, chegou a ponto de evangelizar um continente inteiro. Foi muito perseguido até ser pego por Nero e decapitado em Roma.
Já, João o discípulo amado, foi colocado dentro de uma caldeira de óleo quente e não morreu! Ele escapou por milagre. Depois de obter liberdade morreu por causas naturais. João foi o único discípulo a escapar de uma morte violenta.
Talvez você diga que os tempos eram outros e que isso não acontece mais. Engano o seu! Mensalmente eu recebo via Internet notícias sobre a igreja perseguida ao redor do mundo e pasmem, muitas pessoas estão morrendo atualmente por demonstrar amor e compromisso com o mestre.
Eu gostaria que o exemplo de Estevão e de todos esses mártires pudesse impactar a sua vida! O Senhor Jesus nos convida a sermos uma igreja conhecedora da Palavra; A sermos uma igreja cheia do poder do Espírito Santo; E a sermos uma igreja cheia de esperança e amor.
Se vivermos a plenitude dessas características, com certeza o nosso testemunho fará diferença e outras pessoas poderão também conhecer a esse Jesus Salvador!
Que ele na sua imensa graça e misericórdia possa nos abençoar!!! Amém!!!

Ismar do Amaral, Rev

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