O Pai Misericordioso

Vou começar na noite de hoje uma série de mensagens no texto que presumo, se não o mais conhecido, pelo menos o segundo mais conhecido do Novo Testamento, talvez ele perca para João 3:16, que é a história que nós conhecemos como a parábola do filho pródigo.

Estamos iniciando esta série hoje e vamos dar seqüência na próxima quarta-feira, ou seja, usaremos as quartas feiras restantes do mês de Agosto e todas as quartas de Setembro para refletirmos sobre a profundidade deste texto.

Não vou ler toda a parábola, entretanto, se você deseja acompanhar a base vou ler apenas os vv. 11 a 24 do Capítulo 15 do Evangelho de Lucas:

Conhecemos esta parábola pelo título de “Parábola do Filho Pródigo”, foi o título que o tradutor do texto, e não o texto inspirado, lhe deu. No entanto este texto, parábola do filho pródigo, é um equívoco, o texto não trata do filho como personagem central, o personagem central é o pai. É do pai que se está falando: ..”Certo homem tinha dois filhos”. A história começa falando de um pai e não de um filho. A história termina com o pai falando. Quem domina, pois a cena depois do regresso do filho é o pai.

Esta parábola também tem que ser entendida à luz das duas outras precedentes. Jesus foi criticado por estar participando de festas com pessoas que aos olhos da elite religiosa da época não deveria merecer tanta atenção, qualquer pessoa de bem deveria se eximir da companhia daquelas pessoas. E, criticado por isso, “murmuravam os fariseus e escribas dizendo: este recebe pecadores e come com eles”, e aí JESUS conta três histórias.

Os fariseus seguiam sempre o método rabínico, ou seja, cada argumento deveria ter três provas para ser um argumento irrespondível, e então ele conta três histórias. Ele usa três argumentos na defesa de seu ponto de vista: uma ovelha perdida, em que o personagem central também não é a ovelha, mas o pastor, “qual é o homem que possuindo cem ovelhas”, está no versículo 4, é um pastor que tendo cem ovelhas perde uma e vai procura-la;
Depois também a chamada parábola da dracma perdida em que na realidade a personagem central não é a moeda mas a mulher: “qual é a mulher que tendo dez dracmas se perder uma …”. – Então é um pastor que tem cem ovelhas, uma mulher que tem dez moedas e um pai que tem dois filhos. Das cem ovelhas uma se perde, das dez moedas uma se perde e dos dois filhos um se perde.

Mas as três histórias são contadas por Jesus para mostrar não o estado de decadência do filho, mas para mostrar o caráter de Deus e esta é a questão central da história, é o caminho por onde vamos andar: quem é Deus? O que Jesus está mostrando aqui sobre o caráter de Deus? Se tivermos que dar uma resposta sobre quem é Deus à luz desta história o que podemos dizer?

O caráter do pai basicamente pode ser resumido em uma palavra: ele é um pai misericordioso. Ele é um pai de misericórdia. Ele é misericordioso com o filho que se foi e, foi misericordioso com o filho que ficou. Porque o que ficou era um destes filhos insensíveis, mas ele é misericordioso com os dois. É misericordioso com um que é inconseqüente nas suas atitudes e é misericordioso com o outro que faz cobranças, que acha que o pai lhe deve os céus e terra.

Mas especificamente, analisando o pai de misericórdia o que nós veríamos aqui sobre quem é Deus, como é que Deus nos trata? E eu quero fazer três observações baseadas na experiência de relacionamento deste homem com os dois filhos. A primeira delas é esta: DEUS É UM PAI QUE RESPEITA AS NOSSAS DECISÕES. Porque muitas pessoas tomam atitudes erradas, profundamente equivocadas, pisam na bola, e depois culpam a Deus. Por que Deus permitiu? Por que Deus deixou?

Na realidade o que se mostra aqui é um Deus que respeita as decisões do homem. “Certo homem tinha dois filhos. O mais moço diz: pai, dá-me a parte dos bens que eu quero botar o pé na estrada e andar pelo mundo”. – Vivido, vamos raciocinar assim, este homem sabia que o filho ia se dar mal, ia quebrar a cara.

Quem é pai conhece o filho, e sabe perfeitamente se pode dizer para o filho vai viver sozinho, ou se diz, ainda tem que ter uma corrente no pé porque está um pouco cedo. Mas pôs metade da fortuna nas mãos do filho. Sabia, o pai, que a coisa não terminaria bem, e não terminou, mas deixou ir. Por que não prendeu? …. Deus é um pai que respeita as nossas decisões.

Muitas vezes as pessoas fazem esta pergunta: Deus sabia que o homem ia pecar? Sabia! Então por que não fez o homem à prova de pecado? Por que não o fez à prova de falha? Que viesse da fábrica impecável? Por que não nos fez sem nenhuma possibilidade de erro?

Uma razão muito simples: não haveria nenhuma moralidade em nossos atos. Quem é pai e quem é mãe quer que seu filho o ame e não que ele fique ao seu lado porque não tem alternativa, quer alguém que tenha capacidade volitiva, de sentir, de tomar decisão, de agir por si, mas está ali por amor e não porque é um vegetal. Fomos feitos não como autômatos, bonecos ou robôs, mas pessoas livres que são responsáveis por suas decisões.

O filósofo alemão Emmanuel Kant disse: “não se ama por decreto”. Amor não se impõe, se estabelece, se conquista. Nós nunca amaríamos a Deus se fôssemos feitos à prova de erro. Um ditador pode ser temido, mas dificilmente será amado. Um Deus que nos impusesse pelo terror uma impossibilidade de errarmos não só não teria nenhuma resposta moral nossa como não teria nenhuma validade as nossas decisões.

Nós somos responsáveis por nossa vida, não podemos culpar astros, o número de letras de nosso nome, aroma, pirâmide, galinha preta que foi colocada na nossa porta ou outra coisa. Nós fazemos as nossas decisões, nós fazemos a nossa vida, este é o ensino bíblico. O homem é um ente responsável, com capacidade de escolher, de tomar decisões, pode tomar as decisões que deseja.

E nesse sentido há um texto que, principalmente para a Juventude, deveria soar como uma advertência que aparece em Eclesiastes 11:9, diz assim:
“Alegra-te jovem na tua juventude, recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos.”

Tirando da linguagem bíblica e colocando na linguagem do cotidiano, o texto diz assim: “faz o que te dá na telha, faz o que quiser, você é livre, sabe, porém que de todas estas coisas Deus te pedirá contas. Existe esta responsabilidade”. – Ou seja, eu sou responsável pelos meus atos. Não são meus pais!

Posso ter recebido influências, negativas ou positivas, posso em boa parte ser contingenciado por problemas da infância, mas eu sou o que eu decidir ser e, esta é a grandeza do homem e, esta é a grandeza de Deus. Nós tomamos as nossas decisões e somos responsáveis por nossa vida. Ou seja, cada um de nós é, não vítima, mas agente. Cada um de nós é, não produto do meio, mas senhor do seu próprio destino.

Conheço muitas pessoas criadas no pior ambiente possível e que se tornaram pessoas de excelente caráter e conheço muito filho de crente, inclusive filho de pastor que não deu nada na vida. Não foi o ambiente, mas um determinado momento onde assumiu a sua decisão. Deus é um pai que respeita. O que você quiser fazer com a sua vida Deus não vai impedir. Você é o senhor da sua vida.

Em cada vida existe um toque de grandeza ou de mediocridade e somos nós quem damos, então você será tão resoluto, tão santo, tão decidido quanto desejar ser ou tão problemático quanto desejar ser.

Não há motivo para culpar mãe, pai ou, como o nosso discurso sociológico onde tudo é produto do meio, e se tira toda a responsabilidade do ser humano. Este é o ensino bíblico: Deus nos fez como pessoas capazes de tomar decisões, nos responsabiliza por nossas decisões. Você faz a sua vida e Deus vai cobrar você pelas decisões que tomar. Esta é a primeira lição: DEUS É UM PAI QUE RESPEITA.

Segunda lição: DEUS É UM PAI QUE AMA. Porque o filho foi um desastrado. A história aqui é de um moço que vai descendo a ladeira com o breque de mão solto e parece que a carreta está cheia porque a velocidade vai aumentando.
Não sei se você assistiu na ultima segunda feira na Globo “O trem desgovernado”?: uma porcaria de filme…. mas que ilustra muito bem o que estava acontecendo na vida deste jovem.

Ele acaba disputando comida à tapa com os porcos. Para quem tinha banquete em casa e vai terminar com a grande ambição da vida roubando comida dos porcos, parece que a coisa não andou muito bem.

Mas vamos nos concentrar no pai. (até porque hoje nós celebramos o Dia dos Pais). Vamos presumir que ele tivesse sofrido a ausência e uma das coisas mais belas da Bíblia é que o Deus revelado nas escrituras, o pai de nosso Senhor Jesus Cristo não é um Deus apático, é um Deus que sente. A Bíblia diz que Deus ama.

Não podemos presumir que o Deus da Bíblia seja insensível com as coisas que nós fazemos. Jesus chorou por Jerusalém: “Jerusalém, Jerusalém, tu que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes eu quis te recolher, te ajuntar” e, usou uma figura muito doméstica: “como uma galinha ajunta os seus pintinhos e tu não quiseste”. Ele chorou diante da sepultura de Lázaro, era um amigo e ele chorou. A Bíblia diz três ou quatro vezes que ele, vendo a multidão, se encheu de íntima compaixão. Deus nunca sente repulsa, mas sente amor.

Neste caso do jovem, quando ele volta para casa, a gente pode imaginar em que estado ele veio: Se vinha cuidando de porcos, não estava com perfume de Pacco Rabane, deveria estar com um cheiro pouco convidativo. Também não vinha com nenhuma roupa de grife, não estava com uma calça Pierre Cardin, nem com sapato Samello, devia vir realmente pegajoso. Quem vinha pela rua era um mendigo, um homem coberto de trapos e de sujeira. Para os homens um dos muitos mendigos esmolambados da Palestina, mas o texto diz “seu pai o viu de longe”.

Ou seja, sob os trapos reconheceu o seu filho e aquela pessoa que, para os outros não tinha nenhum valor, para o pai tinha: era o seu filho! – Porisso não importa como esteja a nossa situação espiritual, não importa até onde tenhamos descido, se descemos, o fato é que para Deus nós nunca causamos repulsa. Ele vê o nosso valor sob trapos e sujeiras espirituais.
… É significativo também o fato de que o primeiro passo foi do filho. O texto diz que o pai o viu quando o filho vinha lá longe, o pai não estava desatento, não foi preciso que ele esmurrasse a porta, o pai estava de tocaia, o viu lá longe. Diz o texto que o pai é quem corre na sua direção. E isto é muito significativo! …

Quantas e quantas vezes não recebemos o abraço de Deus porque não damos o primeiro passo em sua direção? O primeiro passo é nosso! O desejo de retornar tem que ser mostrado por nós e quando não mostramos não podemos esperar que ele venha nos tirar de lá: “Oh Deus me socorre, venha me tirar daqui”. Porque muitas vezes nós queremos continuar ali: “Por que é que Deus não me tira desta vida?” O que você esta fazendo para sair dela? – Dá o primeiro passo na direção de Deus! Foi o que o moço fez e descobriu que quando empreendeu a jornada o pai já estava procurando por ele. A história que teria tudo para terminar em tristeza, termina com alegria, festa e perdão.

O texto diz que o pai o beijou. Talvez poderia dizer: filho primeiro um banho (tira esse mau cheiro) e eu lhe dou um abraço depois. Mas não, a história diz que o pai correu, o abraçou e o beijou. O texto fala de alegria, Deus se alegra com o arrependido. E isso é muito importante porque o conceito popular é de um Deus que castiga, de um Deus que parece viver escondido atrás de uma árvore esperando a primeira falha nossa para nos fulminar com um raio. A Bíblia mostra um Deus de amor e de misericórdia, que se alegra!

A história do pai de misericórdia também termina com alegria, também termina com uma grande festa. “Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, traze uma sandália para os pés e matai um novilho cevado. E comemo-nos e regozijemo-nos”. Não há uma palavra de recriminação, não há uma queixa: “Eu não te disse? Eu não falei?” Não, não há nenhuma recriminação. O que há é simplesmente uma demonstração de amor.

Uma das grandezas reveladas por Jesus é que ele não tem repreensão, ele tem amor para dispensar e esta é uma experiência que qualquer pessoa pode ter. Se você quiser dar o primeiro passo na direção Deus, deixando a situação em que vive, deixando a situação que está, você descobrirá que o Deus revelado nas escrituras é o Deus que ama, que aceita e que tem um beijo de perdão.
…… Deus é o pai que aceita, Deus é o pai que ama e em último lugar DEUS É UM PAI QUE RESTAURA. “Pai, pequei contra o céu e contra ti, já não sou digno de ser chamado teu filho”. – É interessante que ele ensaiou o discurso e na seqüência, quando ele começa o discurso o pai interrompe. O pai não quer ouvir suas desculpas, nem se interessa por desculpas. Ele ensaiou um discurso, mas não tem tempo de concluir, o pai corta o discurso no meio porque não está interessado em desculpas, ele está interessado só na volta do filho.

Agora a palavra do pai: “Trazei depressa a melhor roupa, trapo para o meu filho não, vesti-o , ponde um anel no dedo.” – Por que um anel no dedo? Porque as famílias nobres carregavam um anel de sua filiação, estava lá a marca, o brasão da sua família e onde quer que ele estivesse ele era respeitado porque aquele era o anel da família.

E com certeza o bandido deste filho deve até ter deixado o anel penhorado com alguém, porque chegou sem o anel no dedo. – Mas o pai não trata como empregado, coloca-lhe um anel no dedo, ele não é empregado, ele é meu filho! O pai põe nele a melhor roupa, manda devolver a filiação a ele, o pai não quer tratá-lo como escravo e manda trazer a melhor novilha e faz uma festa. Comamos e regozijemo-nos.

Que perdão! É como se nada tivesse acontecido. Tira lá o trapo e põe roupa decente. Perdeu o anel, foi roubado, empenhou, põe de novo, ele é o meu filho! Ele está sem sandália, põe sandália. – E aqui está outra beleza, traço marcante do caráter de Deus, ele nunca nos trata como escravos nem como resto, nem como bagaço, ele nos trata como filhos!

A Bíblia diz que com a queda, pelo pecado, o homem perdeu a comunhão com Deus, o homem perdeu o domínio sobre o mundo, e ele perdeu o direito ao jardim. E em Jesus o homem volta a ter comunhão com Deus, em Jesus o homem é tratado como filho de Deus e em Jesus, o jardim que o homem perdeu reaparece. Tudo o que o homem perdeu com as suas inconseqüências o pai lhe devolveu.

Ou seja, não importa o que você tenha feito, não importa por onde você tenha andado, não importa o quanto você tenha pecado, o fato é que seja o que for que você tenha feito, Deus te perdoa! Deus te restaura e te trata como se nunca tivesses feito nada de errado. Esta é a grandeza de Deus…

O perdão humano é como um arquivo: está lá numa pasta. A qualquer momento abre o arquivo e pega aquela pasta. Ou então, na linguagem da informática, você acessa, abre o arquivo, abre a pasta e está lá tudo o que foi anotado. – …… Entretanto o perdão de Deus é como um apagador , passou-se, deixou de existir. Não há mais registro. Foi deletado.

O profeta Isaías diz que ele lança os nossos pecados para trás de si. A Bíblia diz que assim como oriente está distante do ocidente, assim ele aparta de nós as nossas transgressões e a Bíblia diz que ele os lança no fundo do mar. A maior profundidade do mar é superior aos montes Himalaias, é impossível ao seu humano chegar até lá, nem mesmo com aparelhos, porque a pressão explodiria o aparelho. Está lá onde ninguém pode acessar….

Deus não faz cobranças, oferece perdão. Deus não lança em rosto, não tem uma lista com um registro, mas as coisas são deixadas. Foi por isso que Paulo disse: “se alguém está em Cristo nova criação é, as coisas velhas já passaram eis que tudo se fez novo”. Esta é a maior beleza da vida cristã. O cristão não tem passado. O seu passado acabou.

E isso é importante porque quantos e quantos cristãos na igreja ficam carregando culpas de fatos que cometeram lá atrás: perdoou, não existe mais, Deus apagou.! – Muitas vezes não é Deus, somos nós que não nos perdoamos, não nos aceitamos, … mas Deus já perdoou e para ele já não existe mais.

Deus apaga o passado. Ele pode apagar o passado e ter dar uma vida nova para você começar a viver. Deus respeita, Deus ama e Deus restaura. – Talvez você esteja próximo da situação desse moço, usando mal a liberdade, perdendo a alegria da vida, rompido com Deus, vivendo distante dele.
Você que é jovem, adolescente, se está pensando em gastar a vida longe de Deus, isso é terrível, não há futuro nenhum. Também você que é adulto e está caminhando longe de Deus e está perdendo a oportunidade de consertar a vida: a Bíblia esta nos dizendo hoje que o mais importante no Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo não é o seu poder, não é a sua capacidade de mandar alguém para o inferno, o mais impressionante em Deus é a sua imensa capacidade de amar, de perdoar, de restaurar.

Se você precisa de perdão, de restauração, de cura interior, Deus pode ministrar isso na sua vida esta noite. Apenas uma coisa, só uma mesmo: dá o primeiro passo, o resto é com ele! – Foi o que o moço fez, “levantar-me-ei e irei ter com meu pai”, a partir deste momento a coisa estava nas mãos do pai. Se você der o primeiro passo, tudo estará nas mãos dele!

Cântico: “Renova-em Senhor Jesus…”

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