O preço do discipulado

INTRODUÇÃO:

1. Todo crente verdadeiro, é um discípulo de Cristo. Quando Cristo deu a Grande Comissão, Mt 28.19-20, era para que seus discípulos fossem por todo o mundo e pregando a Palavra de Deus e fazendo discípulos. Vejam o que o Senhor nos disse: “19 Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.”.

2. A palavra “discípulo”, é usada como sinônimo de crente, de cristão, em todo o livro de Atos. Ver

a) At 6.2, “E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas”.

b) At 11.26, “e tendo-o achado, o levou para Antioquia. E durante um ano inteiro reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente; e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos”.

Qualquer distinção que se estabeleça entre estas duas palavras é puramente artificial.

3. Quando Jesus chamou seus discípulos, os instruir claramente sobre o custo de seguí-lo. Pessoas de coração dividido, dúbio, que não estavam dispostas a comprometer-se com Ele, não o seguiam. Um dos exemplos de alguém assim está no “Moço Rico”, Mt 19.16ss.

4. Nesta noite, queremos analisar o preço do Discipulado, descrevendo suas principais características:

“AS CARACTERÍSTICAS DO DISCIPULADO CRISTÃO”

I – PARA SER DISCÍPULO DE CRISTO, É PRECISO ESTAR DISPOSTO A CONFESSÁ-LO DIANTE DOS HOMENS

VS. 32-33

“32 Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. 33 Mas qualquer que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus”.

1. A palavra “confessar”, significa “afirmar”, “reconhecer”, “concordar”. Trata-se de uma declaração de identificação, fé, confiança e responsabilidade. Significa que mesmo em circunstâncias contrárias, jamais teremos receio de afirmar que Cristo é o Senhor e dizer de nossa fé nele, Rm 1.16, “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”. Todo crente genuíno, confessará Cristo diante dos homens.

2. Esta confissão pode ser feita de duas maneiras:

a) Com os lábios, Rm 10.9, “Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo”. Através do uso da fala, da linguagem. Isso sé tem valor, se expressarmos os sentimentos do coração.

b) Com o nosso testemunho, Tt 1.16, “Afirmam que conhecem a Deus, mas pelas suas obras o negam, sendo abomináveis, e desobedientes, e réprobos para toda boa obra”. Dependendo de nosso procedimento no mundo, estaremos confessando, ou negando a Cristo.

3. Esta confissão a Cristo, deve ser “diante dos homens”. Isto eqüivale a dizer que a confissão é o meio pelo qual evangelizamos, pregamos a Palavra do Senhor. Outros virão a Jesus através de nossa confissão, Rm 10.10, “pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação”. Se o coração crê de verdade, a boca estará ansiosa para falar de Cristo, 1 Jo 1.1-2, “1 O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida 2 (pois a vida foi manifestada, e nós a temos visto, e dela testificamos, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e a nós foi manifestada)”.

4. Esta confissão indica a nossa permanência em Deus e a permanência de Deus em nós, 1 Jo 4.15, “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus”. A confissão de coração, acerca de Jesus, como Filho de Deus, confirma e evidencia a nossa comunhão mística com Deus.

5. Esta confissão determinará a confissão que Cristo fará de nós no dia do Juízo Final: “Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus”, Vs. 32. Cristo certamente dirá: “Este pertence a mim”. Ele confirmará sua lealdade para aqueles que foram leais para com Ele. Porém, temos o outro lado da moeda, Vs. 33, “Mas qualquer que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus”. Aqueles que o negam, o rejeitam e dele blasfemam, certamente sofrerão a justa punição, Mt 25.31-46.

6. confesse a Cristo diante dos homens!

II – PARA SER DISCÍPULO DE CRISTO, É PRECISO ESTABELECER CERTAS PRIORIDADES,

VS. 34-37

“34 Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. 35 Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; 36 e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa.37 Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim”.

1. A segunda marca do verdadeiro discípulo de Cristo, é que ele ama a Cristo mais do que ama a sua própria família, Vs. 37. Este Vs. 37, é enfático. Isto quer dizer que ser for preciso negar a um pai; é melhor negar ao pai terrestre, do que negar o Pai Celeste. É melhor negar a um irmão terrestre, do que a Cristo, o irmão celeste.

2. A passagem paralela de Lc 14.26, é ainda mais enfática, senão vejam: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo”. Para vir a Cristo e ser discípulo dele, é preciso estar disposto, se preciso for, a aborrecer pai, mãe, mulher, filhos, irmãos e ainda a própria vida. A palavra “aborrecer”, significa no seu sentido literal, “odiar”, “detestar”. Eu creio que Cristo não estava ensinando isto em seu sentido absoluto, mas usando, isto sim, uma linguagem mais forte do que a nossa, para enfatizar o que dizia. Jesus não iria contrariar a Palavra de Deus, que ensina princípios de relacionamento familiar:

a) Ela nos ensina a honrar pai e mãe, Êx 20.12, “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”.

b) Também nos ensina que como maridos devemos amar nossas mulheres, Ef 5.25, “Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela”.

3. Creio que o sentido da passagem está na frase: “E ainda a sua própria vida”, Lc 14.26. Esta frase fala de fidelidade absoluta, acima dos laços familiares e acima de nós mesmos. Vejamos alguns ensinos na Escritura sobre este assunto:

a) Somos ensinados a negar a nós mesmos, Mt 16.24, “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me”.

b. Somos ensinados a nos considerar mortos, Rm 6.11, “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus”.

c) Somos ensinados a nos despojarmos do velho homem com seus feitos, Ef 4.22, “a despojar-vos, quanto ao procedimento anterior, do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano”.

d) Somos ensinados a tratar nosso egocentrismo com o maior desprezo, 1 Co 9.27, “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado”.

4. Porque Cristo usa uma linguagem tão pesada? Porque se utiliza de exigências tão ofensivas? Porque Ele deseja espantar para longe aqueles que não querem se comprometer? Ele deseja atrair para si os verdadeiros discípulos. Ele não quer que pessoas de coração dúbio sejam enganadas, pensando que fazem parte do Reino de Deus.

III – PARA SER DISCÍPULO DE CRISTO, É PRECISO ESTAR DISPOSTO A CARREGAR A CRUZ

VS. 38

“E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim”.

1. Tomar a cruz, implica em perder a própria vida. Significa estar disposto a morrer. Da mesma maneira que Cristo foi fiel a Deus, a ponto de morrer, seus discípulos, também precisam estar dispostos a morrer, se necessário for, entregando a vida em sacrifício a agradável a Deus.

2. O suplício da cruz, era um dos meios romanos de pena de morte, e era usado para executar os piores criminosos. Por esta razão, a cruz tornou-se símbolo de sofrimento horrível e vergonhoso.

a) 1 Co 1.18, “Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus”.

b) Hb 12.2, “fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus”.

3. A cruz é um instrumento obrigatório para aquele que aspira o discipulado:

a) Vs. 38, “Quem não toma a cruz, não é digno de mim”,

b) Lc 14.27, “Quem não toma a cruz, não pode ser meu discípulo”.

4. Jesus não está ensinando neste texto a salvação pelo martírio, como alguns deduzem pelo teor do Vs. 39, quando diz “Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á”, mas Ele estava se referindo a um estilo, um padrão. Estava afirmando que os verdadeiros discípulos, não recuam, nem mesmo diante da morte. O verdadeiro discípulo, procura seguir a Cristo, ainda que isto lhe custe a própria vida. Vejamos alguns exemplos de discípulos que viveram situações de martírio por amor a Jesus:

a) At 4.18-21, “18 E, chamando-os, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus.19 Mas Pedro e João, respondendo, lhes disseram: Julgai vós se é justo diante de Deus ouvir-nos antes a vós do que a Deus; 20 pois nós não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido. 21 Mas eles ainda os ameaçaram mais, e, não achando motivo para os castigar, soltaram-nos, por causa do povo; porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera;

b) At 7.59-60, “59 Apedrejavam, pois, a Estêvão que orando, dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito.60 E pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. Tendo dito isto, adormeceu. E Saulo consentia na sua morte”.

c) At 12.1-4, “1 Por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar; 2 e matou à espada Tiago, irmão de João. 3 Vendo que isso agradava aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro. (Eram então os dias dos pães ázimos.) 4 E, havendo-o prendido, lançou-o na prisão, entregando-o a quatro grupos de quatro soldados cada um para o guardarem, tencionando apresentá-lo ao povo depois da páscoa.

d) 2 Tm 4.6-8, “6 Quanto a mim, já estou sendo derramado como libação, e o tempo da minha partida está próximo. 7 Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. 8 Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda”.

5. Para ser discípulos de Cristo, é preciso estar disposto a sofrer as maiores afrontas e morrer se preciso for, pelo seu nome.

CONCLUSÃO:

1. O preço do discipulado é alto. Todos os que quiserem seguir a Cristo, terão que estar dispostos a pagar o preço, caso contrário, jamais serão verdadeiros discípulos. Não há lugar no Reino de Deus, para aqueles que não assumem um compromisso de confessar a Cristo diante dos homens, que não renunciam tudo quanto tem, e que não estejam dispostos, se preciso for, a morrer por amor a Cristo.

2. Lembre-se do que Paulo escreveu a Timóteo, 2 Tm 4.6-8.

Compartilhe a BençãoEmail this to someone
email
Print this page
Print
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on Facebook
Facebook
Share on LinkedIn
Linkedin

Comentários

comments

Contribua com sua opinião