Oração ou Decreto Divino?

INTRODUÇÃO: Nenhuma ORAÇÃO agradará a Deus se não for movida pelo Espírito que diz: “Não se faça a minha vontade, e, sim a tua”. (Lc 22.42). Portanto esqueça o Livre Arbítrio.

I – QUANDO É QUE DEUS ATENDE O NOSSO PEDIDO?

– Se um crente orar com fé e pedir coiisas que estão de acordo com a vontade de Deus (as coisas que estão de acordo com a vontade de Deus são as que já foram conquistadas por Cristo na cruz do Calvário e é direito nosso), certamente obterá aquilo que pediu.

Afirmar, porém, que Deus não cumprirá o seu eterno propósito se não orarmos é incorrer em grande erro, porque o mesmo Deus que decretou o fim também decretou que suas finalidades sejam alcançadas pelos meios que ele mesmo determinou.

II – QUAL É A FINALIDADE DA ORAÇÃO SE TUDO JÁ FOI DECRETADO POR DEUS? – Em primeiro lugar, diríamos que a orração não tem a finalidade de alterar os desígnios de Deus, nem de movê-lo a formular novos propósitos. Deus já decretou que certas coisas hão de suceder, mas também decretou que sucederão através dos meios que ele mesmo determinou para levá-las a efeito. Assim como Deus predestinou certas pessoas à salvação; mas também decretou que sejam salvas por meio da pregação do Evangelho. O Evangelho, pois, é um dos meios determinados para concretização do conselho eterno do Senhor. E a oração é outro desses meios. Deus decretou os fins, mas igualmente os meios, e entre esses figura a oração. Até as orações do seu povo fazem parte dos seus decretos eternos. Portanto, longe de serem vãs as orações, são instrumentos, entre outros, por meio dos quais Deus cumpre os seus decretos. “Se na verdade, tudo sucede pelo cego acaso, ou por necessidade fatal, não haveria qualquer eficácia moral nas orações, e nenhuma utilidade; mas, sendo elas reguladas pela orientação da sabedoria divina, as orações desempenham o seu papel na ordem dos acontecimentos” (HALDANE).

III – POR QUE CERTAS ORAÇÕES SÃO ATENDIDAS E OUTRAS NÃO?

– “Quando Deus concede bençãos àqueless que oram, não o faz por causa das suas orações, como se ele tivesse sido influenciado e mudado por elas; porque Ele conhece o fim desde o princípio”. Afirmar que Deus altera os seus propósitos ou é contestar a sua bondade ou é negar a sua eterna sabedoria. É por causa de si mesmo, por sua própria vontade e beneplácito soberanos. Se alguém perguntar: Qual, pois, é o propósito da oração? A resposta deve ser: Esse é o meio e o método que Deus ordenou para transmitir a seu povo as bençãos de sua própria bondade. Porque, embora tenha determinado, provido e prometido as bençãos. Ele decretou ser solicitado; e é nosso dever e privilégio pedi-las. Quando os crentes são abençoados com o Espírito de súplica, isso é bom sinal, e parece provável que Deus tem em mira conceder as boas coisas pedidas, coisas essas que sempre devem ser pedidas com a atitude de submissão à vontade de Deus – “não se faça a minha e sim a tua”. Uma vez que, o próprio Jesus nos ensinou esta verdade quando disse: De mim mesmo, nada posso fazer. (Isto é, de minha carne) assim como ouço faço.

CONCLUSÃO: Finalmente, deve-se dizer que a vontade de Deus é imutável, não podendo ser alterada por qualquer que seja a oração. Quando a mente divina não se inclina a fazer o bem a determinado povo, não lhe podem alterar a vontade, as orações mais fervorosas e importunas, até mesmo daqueles que desfrutam da maior comunhão com Ele – “Disse-me, porém, o Senhor: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, meu coração não se inclinará para este povo” (Jr 15.1). Caso paralelo são as orações de Moisés, rogando pudesse ele entrar na terra da promissão. Cuidado para que não sejamos virtualmente fatalistas, deixando de exercer através da oração, os meios pelos quais nos deixou o mestre quando disse: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis, batei, abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á”. (Mt 7.7, 8) Porque são estas disposições que nos chegam da parte de Deus, embora sabendo que certas coisas sucedem, quer a pessoa ore quer não, é diariamente exemplificado na vida dos não-regenerados, a maior parte dos quais nunca ora, mas, que fazem partes dos decretos divinos. Como está escrito em Provérbios 16.4 que diz: “O Senhor fez tudo para um fim; sim, até o ímpio para o dia do mal”. Sabemos que os decretos divino não são decretos de qualquer déspota ou tirano, mas é o beneplácito em exercício, daquele que é infinitamente sábio e bom! Porque Deus é infinitamente sábio não pode errar, e, porque é infinitamente justo não fará qualquer injustiça. Deus se deleita quando seus filhos saem andando por cima do abismo angustiante, sem nada debaixo dos seus pés, a não ser a Palavra de Deus. Aqui, pois, se acha a preciosidade dessa verdade. O simples fato que a vontade de Deus é irresistível e irreversível enche-nos de receio; mas tão logo reconhecemos que Deus só quer aquilo que é bom, nosso coração se regozija. Aqui se mostra lugar para o intelecto descansar. Aqui há uma âncora para a alma desenfreada, nem o homem, nem o diabo foram capazes de impedir os decretos divinos, mas o Senhor onipotente é que rege o mundo, governando-o segundo o seu beneplácito e para a sua própria glória eterna. Amém!

Se, entretanto, ao invés de curvar-nos perante o testemunho das Sagradas Escrituras, se, ao invés de andar pela fé, seguíssemos a evidência dos nossos próprios olhos, tomando-a como nosso ponto de partida para o raciocínio, então cairíamos no lamaçal do que na prática, seria o ateísmo. Ou se estamos sendo dirigidos pelas opiniões e pelos pontos de vista de outros, não haverá mais paz para nós.

Uma coisa você deve ficar sabendo, que o coração e a mente não encontrarão o lugar de descanso eterno senão no firme conhecimento de que Deus está entronizado, e no controle de tudo. E que a verdadeira paz se acha onde Deus é Deus. E só existe um único Deus verdadeiro e soberano. … “E nós estamos naquele que é verdadeiro e, isto é, em seu filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna!”. Como está escrito em I João 5.20.

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