Podemos Perder a Salvação em Cristo Jesus?

Introdução: Já ouvimos uma resposta afirmativa a essa pergunta, com certeza.

Alguns chamam a certeza da salvação – “Orgulho dos Crentes”

Muitos abrigam a insegurança por “necessidade de preservar a vida cristã”. Essa noção está presente em muitas novas denominações e na doutrina pentecostal.

Aceitar isso representa uma falta de entendimento da doutrina da salvação.

A CFW – Apresenta a “certeza” como sendo algo adicional e não essencial à fé.

Quando lemos textos como este, que acabamos de ler, (Hb 6.4-8 ) ficamos um pouco confusos.

Nosso propósito é procurar entender alguns textos que parecem ir contrários à doutrina da Perseverança dos Santos.

1. Duas passagens difíceis;

a. Alguns “provam o dom celestial” e caem. Hb 6.4-6

4 É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo,

5 e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro,

6 e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.

b. Alguns “escapam” do mundo, “conhecem”, mas voltam ao erro: 2 Pe 2.20-22

20 Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o seu último estado pior que o primeiro.

21 Pois melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado.

22 Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal.

2. As Explicações de João:

“Ninguém as arrebatará” – O Espírito Santo moveu-o a registrar em seu evangelho, no capítulo 10. 26-28, o fundamento da doutrina da Perseverança dos Santos:

26 Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.

27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.

28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.

“Saíram de nós, mas não eram dos nossos”. 1 Jo 2.18-20:

18 Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora.

19 Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos.

20 E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.

O que “ultrapassa a doutrina” não tem Deus. 2 Jo 9

9 Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho.

“Ultrapassa” – Ir além, como em Gl 1.8 = “outro evangelho” – “…vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”.

A permanência na prática do mal evidencia que aquele “jamais viu a Deus”. 3 Jo 11.

11 Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus.

3. O contexto das passagens difíceis.

Hb 6.4-8, não pode ser lido isolado dos versos 7 e 8.

7 Porque a terra que absorve a chuva que freqüentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus;

8 mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada.

Vemos aqui a harmonia com a parábola do semeador – Mateus 13.18-23, especialmente o v. 22. O trecho, em Hebreus, não está falando dos verdadeiramente salvos, mas dos semeados em espinhos. Recebem a chuva, igual à que cai na terra fértil, ou seja, “provam o dom”, no sentido de que são participantes das bênçãos, mas são sufocados pelos cuidados do mundo.

2 Pe 2.20-22, deve ser lido a partir do verso 9. Os que “escapam” do mundo, conhecem, mas voltam ao erro, são contrastados com os “piedosos”:

9 Porque o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar sob castigo os injustos, para o dia do juizo.

10 especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores,

11 ao passo que anjos, embora maiores em força e poder, não proferem contra elas juízo infamante na presença do Senhor.

12 Esses, todavia, como brutos irracionais, naturalmente feitos para presa e destruição, falando mal daquilo em que são ignorantes, na sua destruição também hão de ser destruídos,

13 recebendo injustiça por salário da injustiça que praticam. Considerando como prazer a sua luxúria carnal em pleno dia, quais nódoas e deformidades, eles se regalam nas suas próprias mistificações, enquanto banqueteiam junto convosco;

14 tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo coração exercitado na avareza, filhos malditos;

15 abandonando o reto caminho, se extraviaram, seguindo pelo caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça

16 (recebeu, porém, castigo da sua transgressão, a saber, um mudo animal de carga, falando com voz humana, refreou a insensatez do profeta).

17 Esses tais são como fonte sem água, como névoas impelidas por temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas;

18 porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro,

19 prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica escravo do vencedor.

Conclusão:

A Palavra de Deus é clara em muitas passagens – somos salvos para sempre.

Aquele que iniciou a obra em nós é poderoso para completá-la.

Isso não é encorajamento para o pecado, mas motivo de ações de graças – somos salvos pelo poder de Deus e preservados por este mesmo poder, não por nossas frágeis forças.

Esses trechos difíceis, são entendidos pelas explicações de João e pelo contexto dos dois textos principais.

Que possamos confiar no preservador da nossa salvação. Que nunca nos abalemos.

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