Razões para Voltar

Na primeira mensagem dissemos que esta não é uma história circunscrita no tempo e no espaço, é a história da raça humana, é a história de todos nós. Lembra inclusive a palavra de Isaías, “todos nós andávamos desgarrados como ovelha, cada um se desviava pelo seu caminho”. Então não é uma história engendrada por Jesus, sem qualquer nexo com a vida, é uma história muito real porque é a história de boa parte da humanidade.

Já analisamos esta história por vários ângulos e hoje vamos analisá-la à luz de uma pergunta: e se o Jovem fosse em frente? E se ele insistisse em permanecer na sua atitude, afastado de casa? Tentando resolver o seu problema por si mesmo. Quem sabe ele poderia melhorar? Talvez houvesse uma reviravolta na economia e a situação melhorasse. Quem sabe ele arranjasse um emprego melhor. Quem sabe alguns dos amigos a quem tivera emprestado dinheiro o socorresse.

Afinal de contas voltar é uma humilhação tão grande. Voltar seria chegar e dizer: eu errei, eu não estava certo. Uma das palavras mais difíceis para as pessoas dizerem é errei. Pedir desculpas já é difícil e pedir perdão é mais. Poderia tentar resolver a coisa sem dar o braço a torcer. Quanta gente tenta isso. …. Entretanto, há um perigo muito grande se continuasse, e ele mesmo reconheceu isso: estou morrendo de fome!

Vamos tirar esta questão do âmbito deste moço e trazer para a área espiritual que foi a área em que Jesus a aplicou. Eu nasci nessa religião e vou morrer nela, sei que estou errado, mas vou morrer nela, sei que meus hábitos não são corretos, mas estou tão acostumado com eles. Se eu mudar de vida o que vou dizer lá em casa?

O que a família vai dizer? Por que mudar o rumo da vida? Por que vou reordenar todo o meu sistema de valores? Por que vou deixar de cometer algumas coisas as quais estou tão acostumado?

Vamos olhar para a história do moço e ver quais seriam as razões para ele voltar. Quais são as razões para alguém voltar para Deus e acertar a sua vida com ele? Quais são as razões pelas quais uma pessoa deve dar uma reviravolta, uma guinada radical no seu procedimento, na sua concepção de valores, reconhecer que sua visão religiosa está errada, que sua postura não está lhe trazendo nenhum benefício, mudar a vida por completo, quais são as razões?

Encontramos na história três razões. Vamos ver se nós aplicamos isso a vida espiritual. Razões para voltar: PRIMEIRA, porque fora há comida de porcos e em casa há pão. Esta é a primeira razão. Diz o texto que o moço desejava fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam. Alfarroba era uma lavagem gordurosa, imprópria para consumo, que nem mesmo os mais pobres se atreveriam a comer e que era usada para porcos. Ignorada por judeus.

Na casa dele havia uma festa e ele mesmo reconheceu: os empregados de meu pai tem fartura de pão. Puxa vida, eu sou filho do dono da casa, do fazendeiro, e agora não estou nem comendo a comida que os empregados de meu pai comem, estou aqui disputando comida com os porcos. ….. Este é o dilema de boa parte da raça humana: Pão ou lavagem? Vazio espiritual, lixo, coisas que não alimentam ou aquilo que realmente pode alimentar a alma?

Quando o moço saiu de casa tinha diante de si um horizonte inebriante: Eu ficar aqui a vida inteira nesta fazenda? … Vamos presumir que este moço não gostasse da vida do campo e foi para o lusco fusco da cidade, bonito, atraente. Aplicando isso para nós: Por que é que eu vou ficar nessa chatura de igreja, nessa cantoria, nessa rezação, esse bando de velhos embolorados, quando as coisas aqui fora são muito melhores?

Aqui tem um som da pesada. Aqui tem um forrozinho bom. Aqui eu faço as coisas que eu quero, não tem ninguém para me policiar, me patrulhar, eu faço o que eu quero. Provérbio 14:12 diz assim: “há um caminho que parece direito ao homem mas o fim dele é como o caminho da morte”.

Em casa há pão. Jesus disse: eu sou o pão da vida. Fora de Jesus Cristo a alma não é alimentada. Fora de Jesus Cristo só há lavagem. Fora de Jesus Cristo há apenas ilusão, ele é o pão da vida, ele é água da vida: “quem beber da água que eu lhe der rios de água viva fruirão do seu interior”. O resto é lavagem. Por que voltar? Porque fora há comida de porcos e em casa há pão.
SEGUNDA razão pela qual voltar, porque fora há escárnio e em casa o beijo de perdão. Ele foi se agregar a um dos cidadãos daquela terra, a idéia do texto grego é a seguinte: nem emprego ele conseguiu, então ele se encostou na casa de alguém, vou ficar por aqui. E o camarada que tinha um senso de humor bem sarcástico, o mandou cuidar de porcos.

Aquilo que nenhum judeu faria, a atividade mais baixa, lavar latrina não era nada, carpir terreno dos outros não é nada, aliás pedir esmolas seria mais digno do que cuidar de porcos e não era nem porcos dele, eram porcos de outro.

Vamos dar asas à nossa imaginação e visualizar a zombaria: não é aquele camarada que só usava Pierre Cardin? Que só usava sapato Samello? Que tudo dele era o grito da moda? Olha só em que estado ele está. …. Enquanto houve dinheiro houve respeito e aqui está o que muitas pessoas não descobriram: quando as pessoas colocam todo o significado da sua vida em bens materiais, estruturam toda a sua vida em função disto são respeitadas e amadas enquanto tem coisas.

Enquanto esteve bem foi bastante respeitado. Este é o problema de uma vida estruturada em bens materiais. Diz o versículo 20 que o moço voltou para casa, diz assim: “levantando-se foi para seu pai. Vinha ainda longe quando seu Pai o avistou e compadecido dele, correndo o abraçou e beijou.” Fora escárnio, em casa compadecimento. Fora zombaria, em casa o beijo de perdão.

Aqui está a graça de Deus. Ele nunca se preocupa com a respeitabilidade humana e nem com a conta bancária. Deus vê os famintos espirituais. Deus vê as pessoas necessitadas. Um engano muito grande de pessoas é pensar que Deus está atrás de gente santa e de gente perfeita. Ele está atrás de gente imperfeita e pecadora.

Esta parábola foi contada junto com mais duas. Há um elemento comum em como estas histórias terminam. O pastor se alegra quando acha a ovelha, a mulher se alegra quando acha a sua moeda e o pai se alegra quando recupera o seu filho. Sabem qual é a idéia mais forte nestas histórias? A alegria de Deus quando uma pessoa entrega a sua vida a ele.
Ele não tem queixa e nem recriminação. Não importa o que você seja. Não importa o que você tenha feito. Ele não tem uma listinha que saca e vai esfregar no seu rosto. Ele é o Deus da graça e da misericórdia. Ele não leva em conta a ignorância, tudo o que foi feito, apenas espera o arrependimento, o desejo de voltar para casa.

Fora de casa há escárnio, zombaria. Em casa há o beijo de perdão. Por que voltar? Porque em casa há comida de porcos e em casa há pão. Porque fora de casa há escárnio e em casa o beijo de perdão.

TERCEIRA E ÚLTIMA razão pela qual devemos voltar. Porque fora há morte e em casa há restauração. Quantos empregados de meu pai tem pão de sobra e eu estou aqui morrendo de fome. O texto grego do Novo Testamento é enfático no morrendo, não é uma figura de retórica, é de alguém que estava mesmo prestes a morrer de inanição.

Que tragédia para um moço fino e filho de gente rica! Morrer de fome. Mudar não é humilhante. Humilhante é morrer de fome. Converter-se não é humilhante. Humilhante é a vida errada e arruinada. Acertar as contas com Deus não é humilhante, mas insistir no erro sabendo que as coisas não estão correndo bem e determinar-se a viver com as coisas correndo mal. Voltar para casa não é humilhante, humilhante é a vergonha das conseqüências desta separação. A história do moço serve para mostrar que longe de Deus o homem não se realiza.

A geração contemporânea tenta preencher com atividades, com lazer, com sensações, com drogas, com experiências, com o ocultismo, com o inusitado, com o estrambótico, e continua vazia. Pessoas bem preparadas, com bens, com posses, com títulos, com realização, mas profundamente frustradas porque não descobriram ainda que coisas, título, bens não enchem a vida espiritual de significado.

Fora há morte, em casa uma festa. Ele que estava querendo comer comida de porcos o pai chega e diz assim: “trazei também e matai o novilho cevado”. O bezerro que estava guardado para uma grande festa. Chegou a grande festa. Não precisa mais comer lavagem, agora há festa.
Quantas pessoas tem medo da zombaria. Mas eu entrar para esta turma de crente, esta gente esquisita? Tem tanto picareta ai dentro! Tem sim. Em todo lugar tem. Você já viu uma nota de R$ 30,00. Não? Porque não existe. Ninguém vai falsificar o que não existe. Só se falsificam as coisas que existem.

Há dinheiro falso mas você não vai jogar o seu fora porque ele é verdadeiro. Existe gente picareta? Existe. Existe ilusão? Existe. Mas existe uma verdade: Jesus e o seu evangelho. Jogar a esperança que isto traz para a nossa vida, o significado que isto pode dar à nossa existência, a realização que pode trazer para o nosso viver porque em algum lugar há uma coisa errada é insensatez.

Para concluir: Lembram da história do endemoninhado Gadareno? O moço tinha dois mil demônios, pelo menos foram dois mil porcos que se afogaram quando saíram do moço. As pessoas não tinham medo do moço e seus dois mil demônios, mas tiveram medo de Jesus. É interessante isso..

Pessoas que não tem medo do erro, do demonismo, do ocultismo, de bater em porta de inimigos, mas tem medo do evangelho. Pessoas que tem medo de Deus. Gente que teme o evangelho, se acostumou com o mal, tem vergonha do que vai dizer, e o texto do endemoninhado laconicamente termina dizendo: “Jesus, tomando de novo o barco, voltou”… e mais não pode fazer porque não quiseram. Porque não permitiram.

Tragamos este texto para a nossa história. Se você está longe de Deus, longe do seu pai celestial, pode apresentar uma série de desculpas para não voltar, serão apenas desculpas e nunca razões. A única razão para não voltar seria se Deus não aceitasse, mas aceita.

Mas à semelhança dos gadarenos, optar pelo erro, preferir a mentira, preferir a ilusão do que Cristo é no mínimo falta de bom senso. Razões para voltar: o texto nos apresenta três, mas não há nenhuma razão para não se voltar, para não se restaurar….

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