Retorno à Palavra de Deus

INTRODUÇÃO

1. O texto básico mostra uma situação semelhante do povo de Israel no tempo do rei Josias à situação da Igreja por ocasião da Reforma Religiosa do Século XVI. O desprezo à Palavra de Deus causou terríveis desvios do povo na doutrina, na conduta e no culto. Em ambas as situações históricas, a volta à Palavra foi o ponto de partida para uma reforma que restaurou os valores da fé, valores estes fundamentados na revelação divina.
2. As experiências do povo de Deus narradas nas Escrituras Sagradas, bem como o conhecimento da História da Igreja depois do livro de Atos dos Apóstolos, mostram sucessivos movimentos de avivamento e reforma. A igreja, como corpo vivo de Cristo, reage para expulsar corpos estranhos que se infiltraram nela durante a sua peregrinação histórica. Como aconteceu no tempo de Josias e de Lutero, a redescoberta da Palavra sempre é decisiva para a libertação de pecados que desonram a Deus e que empanam o brilho do testemunho da igreja no mundo.
3. Durante o mês de outubro vamos refletir sobre o tema avivamento e reforma, tendo em vista a celebração dos 490 anos que se passaram desde que Lutero afixou as 95 teses na porta da Igreja de Wittenberg, dando início a este movimento que nos alcançou e no qual estamos envolvidos. Vamos começar refletindo sobre a importância da Palavra no avivamento e na reforma. Tendo isto em mente que lições podemos aprender de 2 Reis 22.1-20?

É PRECISO REDESCOBRIR A PALAVRA

1. Apesar do crescimento da igreja evangélica no Brasil, tem havido sérios desvios na doutrina, no comportamento e na conduta. Temos informações seguras de que em alguns estabelecimentos comerciais, em certas cidades do País, os pastores evangélicos não têm crédito. Muitos problemas que afligem pessoas que professam a fé cristã, e que enchem os templos em busca de bênçãos, têm como causa o não estarem vivendo os princípios da Palavra de Deus. Precisamos hoje de um grande e profundo avivamento em nosso País. Esse avivamento precisa começar com o confronto das nossas vidas com a Palavra de Deus. Sem isto podemos estar procedendo como os falsos profetas no tempo de Jeremias que curavam superficialmente a ferida do povo de Deus, dizendo paz, paz, quando não há paz (Jeremias 6.14).
2. O livro da lei, talvez o Pentateuco, ou mais precisamente o livro de Deuteronômio, estava perdido no templo, onde foi achado (22.8). Sejamos gratos a Deus pela Reforma do Século XVI que colocou a Bíblia nas mãos do povo. A revolução foi grande e a igreja e o mundo foram abençoados. Em nosso País, as escrituras estão ao alcance de todos. Mas temos valorizado isto? Estamos levando a sério e praticando os ensinos da Palavra que ouvimos em nossos templos? Ou esquecemos a Bíblia no templo? Ou quando terminam os nossos cultos voltamos para as nossas casas, a Palavra de Deus fica esquecida durante a semana? Se isto acontece, não podemos ficar admirados quando os crentes enfrentam tantos problemas.
3. Somos advertidos pela experiência de Josias a pregarmos com toda a fidelidade a Palavra de Deus em nossos cultos; os ensinos da Palavra transmitidos nos nossos cultos devem ser refletidos em todas as nossas células; os princípios que as nossas crianças aprendem nas celebrações e nas células devem ser aplicados nos lares, nos cultos domésticos; a Palavra deve ser o pão que alimenta a vida pessoal de cada crente na sua vida devocional – sem a Palavra não há quarto de escuta; sem quarto de escuta não teremos orientação segura para as nossas vidas no dia-a-dia. Essa Palavra é eficaz (Hebreus 4.12), desvenda tudo (Hebreus 4.13) e está perto de nós (Romanos 10.8).
4. Que não aconteça com nenhum de nós o que aconteceu com uma senhora cristã: Ela perdeu os óculos e durante muito tempo não conseguiu encontrá-los até que, depois de muito procurar, os encontrou dentro da sua Bíblia.

A PALAVRA PRECISA SER CORRETAMENTA ENTENDIDA E PRATICADA

1. Quando o rei Josias ouviu a leitura da Palavra, ele se humilhou na presença de Deus (22.11). Ele percebeu que a sua vida, e a vida do povo, estavam em desarmonia com a vontade de Deus e que estavam sujeitos ao justo julgamento do Senhor. Qual seriam agora os procedimentos? Precisavam entender melhor o sentido e a aplicação da Palavra na situação concreta em que estavam vivendo e por isso buscaram ajuda (22.12-14)
2. A Palavra foi interpretada pela profetisa Hulda (22.12-15-17). A mensagem foi dura. A desgraça viria sobre o lugar e os habitantes porque o povo tinha abandonado o Senhor, tinha se voltado para a idolatria, e o resultado era também a injustiça, como denunciaram os demais profetas de Israel. Deus é amoroso, mas também é justo. Por isso, precisa disciplinar os seus filhos. Não há como continuar na prática do pecado e continuar desfrutando as bênçãos do Senhor. Deus nos disciplina porque ele nos ama. A pregação da prosperidade sem a pregação do arrependimento, sem o quebrantamento, sem a volta para o Senhor, é enganosa, é falsa, e tem levado ao desvio da fé, da conduta cristã, do culto verdadeiro, muitos filhos de Deus. Nos dias de Lutero, vendiam-se indulgências para a construção da grande basílica de São Pedro e para os negócios que eram feitos nos palácios dos bispos e reis. Hoje há também os vendedores modernos de indulgências para construção de grandes catedrais, de shoppings centers gospel e para mansões de pastores que fazem inveja aos palácios episcopais da idade média. Como fizeram Lutero e os demais reformadores, precisamos denunciar esses abusos, esses pecados, esses desvios. Precisamos de avivamento espiritual e de reforma para que sejamos relevantes para o nosso país!
3. O confronto da vida do rei e do povo com a Palavra de Deus causou arrependimento e humilhação (22.11,19). Por mais difíceis que sejam as situações criadas pelo pecado, sempre há esperança para os que se arrependem, se humilham e se voltam para Deus. Deus não despreza o coração quebrantado e contrito (Salmo 51.17). Ele vivifica o coração dos abatidos e o espírito dos contritos (Isaías 57.15). Quem se humilha será exaltado. Precisamos pregar, ler, estudar e meditar na Palavra de tal maneira que ela produza esses resultados em nossa vida.

A PALAVRA PRECISA SER PREGADA COM URGÊNCIA

1. A profetisa Hulda cumpriu sua missão e enviou a mensagem ao rei com esta declaração: Assim diz o Senhor (22.15-17). Ela tinha consciência de que estava transmitindo a Palavra de Deus, não a sua opinião nem os seus conceitos. Há necessidade hoje da Palavra de Deus, não de teorias e opiniões humanas, de filosofia ou de estudos sobre a Palavra. Há muita comunicação hoje, mas sente-se a necessidade de comunicação real, verdadeira, que alimente a alma e que dê orientação e diretriz seguras!
2. Os crentes servem-se mutuamente de acordo com os dons de cada um, administrando o rico tesouro da graça (1 Pedro 4.10). Quando o serviço é o ensino, é preciso que seja ministrada a PALAVRA DE DEUS. Nesta ministração mútua, os crentes se alimentam, se orientam e se preparam para as batalhas do reino de Deus. Isto se cumpre de uma maneira linda na edificação nas células. Ralph Neighbour já determinou o versículo que deve ficar gravado no seu túmulo: 1 Coríntios 14.24-25. Devemos orar até que as palavras destes versículos se cumpram em cada uma das nossas células.
3. Jesus usou a figura da Videira para representar a comunhão dele com os crentes e a comunhão dos crentes uns com os outros (João 15.1-6). Ele é a videira, nós somos os ramos. Os ramos que não dão fruto são cortados; os ramos que dão fruto são podados, limpados, para que produzam mais fruto. Glorificamos o Pai quando damos muito fruto. Esta é a marca do discípulo do Senhor Jesus. Mas a videira não dá fruto para si mesma. O nosso fruto é para abençoar o mundo. Paulo disse que quanto ao dever de pregar o evangelho, ele era devedor tanto a gregos como a bábaros, tanto a sábios quanto a ignorantes e que estava sempre disposto a pagar essa dívida (Romanos 1.14-15). Esse privilégio e essa responsabilidade são concedidos a cada um de nós. Quando os cristãos foram dispersos de Jerusalém por causa das perseguições, eles iam por todas as partes pregando o Evangelho. Foram cristãos anônimos que levaram o Evangelho até Antioquia. Os cristãos que vivem em células devem ser como formiguinhas que levam o evangelho através das redes naturais de relacionamentos (oikos). Todo avivamento verdadeiro e toda reforma autêntica na vida da igreja tem despertado os crentes para o cumprimento da Grande Comissão: ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda a criatura! Somos fruto de avivamento e de missões. Compete a nós dar prosseguimento nesta obra.

CONCLUSÃO

Em Hebreus 13.7 está escrito: “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram”. Vamos nos lembrar dos patriarcas (Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés), dos profetas (Elias, Isaías, outros), dos apóstolos, dos mártires, dos reformadores, dos missionários (Simonton, que deu sua vida pela evangelização do Brasil), dos nossos pioneiros como Sherlock Nogueira e Jonas Dias Martins. Vamos imitar a fé que tiveram e vamos imitar o zelo que demonstraram na pregação do Evangelho. Vamos dar prosseguimento a essa obra.

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