Rute, a crente.

Na época em que os juízes governavam o povo de Israel, houve uma grande fome em Israel. As pessoas estavam passando fome. Estavam sofrendo muito. O motivo era o castigo de Deus sobre o povo. A época dos juízes era vista pelas pessoas com desconfiança. O motivo não era os juízes. Porque era o Senhor que levantava esses homens para libertar Israel da escravidão, do sofrimento imposto por um povo inimigo. Aquela era uma época de desconfiança por causa do povo. O povo era constantemente levado a fazer o mal; logo se desviava do caminho do Senhor; logo deixava de cultuar a Deus para cultuar aos falsos deuses. Por esse motivo é que o povo está passando fome. Há uma grande fome assolando Israel.
Nesse tempo uma família, com medo de morrer de fome, vai para uma outra terra. O cabeça da casa quer tentar a vida em outro lugar. Ele quer sustentar sua família e protegê-la da morte causada pela fome. Quando chega na outra terra, o esposo morre. Os filhos se casam e depois de quase dez anos, os filhos morrem também. Ficam Noemi e suas duas noras, todas as três viúvas. Perdem aqueles que as consolavam. Estão desamparadas. Nessa época Noemi ouviu falar que o Senhor se lembrara do seu povo, dando-lhe pão (Rt 1.8). É nessa volta para a terra prometida que encontramos a linda declaração de Rute. “Não insistas comigo para que te deixe, pois para onde fores, irei também, onde for tua moradia, será também a minha; teu povo é o meu povo e teu Deus é o meu Deus. Onde morreres, quero morrer e ser sepultada. Que o Senhor me mande este castigo e acrescente mais este se outra coisa, a não ser a morte, me separar de ti!” (Rt 1.16-17). É ou não é uma declaração belíssima de Rute?

1. Quem era Rute.

Quem era Rute? Essa é a pergunta a ser respondida. Rute não era um membro do povo de Deus. A Bíblia faz questão de mostrar que ela não era um membro do povo de Deus. O versículo 4 diz que ela era uma mulher moabita. Ela pertencia ao povo de Moabe. O povo de Moabe surgiu do incesto das filhas de Ló com seu pai. Ló era sobrinho de Abraão. Por isso tinha até parentesco com o povo de Israel. Mas, o povo de Moabe não vivia servindo ao Senhor. Podemos ver isso no versículo 15: “disse Noemi: eis que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses”. Eles não viviam debaixo da lei do Senhor. Não buscavam ao Senhor. Se desviaram dos caminhos do Senhor e começaram servir aos ídolos.
Esse povo estava sujeito a maldição da parte do Senhor. Deuteronômio 23.3-5 diz: “Nenhum amonita ou moabita entrará na assembléia do Senhor; nem ainda a sua décima geração entrará na assembléia do Senhor, eternamente. Porquanto não foram ao vosso encontro com pão e água, no caminho, quando saíeis do Egito; e porque alugaram contra ti Balaão, filho de Beor, de Petor, da Mesopotâmia, para te amaldiçoar. Porém o Senhor, teu Deus, não quis ouvir a Balaão; antes, trocou em bênção, porquanto o Senhor, teu Deus, te amava”.
O Senhor tinha proibido os moabitas de entrarem em sua casa. Eles eram proibidos de estarem reunidos com a comunidade em adoração no culto. O motivo foi que quando Israel estava caminhando pelo deserto, rumo à terra de Canaã, o povo parou nas Campinas do reino de Moabe para descansar. O rei de Moabe mandou Balaão, um homem que, se bendissesse alguém, realmente aconteceria; e se ele amaldiçoasse também aconteceria. O rei mandou chamar Balaão para amaldiçoar o povo. Em vez de ajudar o povo de Israel com água e pão, mandou um homem fazer o mal. Um povo que era parente de Israel. O povo de Moabe era descendente de Ló, e Israel era descendente de Abraão. Abraão era tio de Ló. Mas, o povo de Moabe não quis saber disso. O Senhor protegeu a nação dos moabitas de ser destruída pelas nações inimigas e proibiu Israel de lutar contra aquele povo, por ser seu parente. Agora, eles querem destruir o povo santo do Senhor. Querem acabar com os protegidos do Senhor. Mas quando Balaão tentava amaldiçoar Israel, a única coisa que saia de sua boca era bênção. Ele não conseguiu amaldiçoar a Israel. Porque o próprio Senhor controlava a sua boca. O Senhor era quem colocava palavras em sua boca. Por isso, quando falava, abençoava Israel. Foi por causa dessa maldade que os moabitas foram proibidos de entrar na casa do Senhor e cultuá-lo junto com o seu povo.
E Rute como moabita, estava sujeita a essa proibição. Estava proibida de entrar na casa do Senhor e junto com o povo cultuar ao Senhor. Mas, Rute estava disposta a fazer a vontade de Deus. Muitas vezes colocamos obstáculos para não servirmos a Deus. inventamos mil desculpas para não vir à igreja e cultuar a Deus. Aqui, no texto da pregação, vemos alguém bem diferente das pessoas que colocam obstáculos para não vir à igreja. Em vez de colocar obstáculos, ela tira os obstáculos. Isso mostra como era grande o desejo de servir a Deus. Ela tinha uma fé viva no Senhor. Ela tinha prazer em servir a Deus com uma fé verdadeira. Isso nos leva ao segundo ponto.

2. A fé de Rute.

Amados irmãos e prezados ouvintes, o que é fé? E quem dá a fé? “A fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hb 11.1). A fé faz a pessoa esperar em Deus. Ele tem certeza de que Deus vai conceder suas promessas aos que verdadeiramente têm fé nele. Ele não precisa ver nada para confiar em Deus. Fé é esperar com certeza e confiança naquilo que não se pode ver. Rute tinha essa fé. Ela confiava no Senhor. Ela cria que o Senhor era o Deus da sua salvação. Mas, quem dá a fé? Em Efésios 2.8, a Bíblia fala que a fé é um dom de Deus. A fé é um presente que Deus concede ao homem, para que venha a crer nele. Romanos 10.17 diz: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”. É escutando a pregação do evangelho que Deus nos dá a fé salvadora em Cristo. É através desta palavra pregada todo domingo e ensinada nos estudos bíblicos que vem a fé. Por isso, a fé é um dom de Deus. Não vem dos homens. Por isso, o apóstolo Paulo disse em Efésios 2.8 e 9: que a fé “não vem de vós, é dom de Deus; não vem de boas obras, para que ninguém se glorie”.
A fé vem através da obra de Deus na nossa vida. O Espírito Santo usa a pregação do Evangelho para produzir a fé em nosso coração. Quão importante é vir à casa de Deus e ouvir a pregação do Evangelho. Quão maravilhoso é escutar as promessas de Deus. Quão magnífico é receber a fé que vem de Deus através da pregação da palavra.
Mas, e Rute? Ela não era proibida de entrar na casa de Deus? Como ela recebeu a fé? Foi através de seus sogros: Elimeleque e Noemi. Eles ensinaram seus filhos a andarem no caminho do Senhor. Eles se preocuparam com a educação de seus filhos. Ensinaram os preceitos do Senhor. Ensinaram seus filhos a buscarem em primeiro lugar o reino de Deus. E quando se casaram continuaram se reunindo em casa. Tendo o seu culto familiar. Assim Rute acolheu o santo evangelho. Ela deu ouvido ao que lhe estava sendo ensinado. Por isso, Deus abriu o seu coração e implantou nele a fé salvadora.
A fé de Rute não era uma fé fraca, que por qualquer motivo se abate. Vejam a declaração de sua fé em nosso texto. Nos versos 16 e 17 ela diz: “Não insistas comigo para que te deixe, pois para onde fores, irei também, onde for tua moradia, será também a minha; teu povo é o meu povo e teu Deus é o meu Deus. Onde morreres, quero morrer e ser sepultada. Que o Senhor me mande este castigo e acrescente mais este se outra coisa, a não ser a morte, me separar de ti!”.
Três viúvas! Nenhum marido! Três viúvas, nenhum filho! Três viúvas desamparadas! Nenhum homem para cuidar delas. O que podiam fazer? Noemi, então, resolve voltar para seu povo, porque ela ouviu que o Senhor se lembrara de seu povo dando-lhe pão (Rt 1.6). Noemi pede que suas noras voltem para seu próprio povo, os moabitas, e se casem de novo. Elas, porém, insistem em ir com ela. Orfa depois resolve voltar e deixar Noemi. A Bíblia diz que ela voltou ao seu próprio povo e aos seus deuses (Rt 1.15). Orfa, que também tinha recebido o mesmo ensino de Rute, nunca havia realmente se comprometido com o Senhor. Estava ali com pessoas crentes, mas seu coração estava no mundo pecaminoso. Na primeira dificuldade, aproveitou para voltar aos antigos hábitos, adorar imagens. Desprezou o Senhor. Não fez caso do Senhor, o Deus todo-poderoso. Na primeira oportunidade que teve, voltou a viver em pecado. Assim são muitos que entram na igreja. Escutam as boas novas do evangelho. Mas, não querem viver como Deus exige. Vem domingo após domingo, mas não se comprometem com o Senhor.
Diferentemente de Orfa foi sua cunhada Rute. Ela não voltou a praticar o que fazia no passado. Ela estava disposta a fazer a vontade de Deus. Ela estava disposta a não mais praticar os maus atos pecaminosos. Ela estava disposta a ser como sua sogra. Uma crente firme no Senhor. Quando sua sogra insiste para que ela volte, como fez sua cunhada, ela declara sua fé no Senhor. Foi uma confissão de fé tão forte que “vendo, pois, Noemi que de todo estava resolvida a acompanhá-la, deixou de insistir com ela” (Rt 1.18). Seja lá para onde Noemi fosse, ela iria. Onde morresse, ela morreria também e seria sepultada no mesmo local. Isso mostra como ela estava determinada. Porque ela disse que só a morte a separaria de sua sogra. Porém, o mais importante é quando ela diz: “teu povo é o meu povo e teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16).
Ela estava realmente disposta a se humilhar perante Deus. Estava disposta a fazer o que a lei de Deus ordena. Amar a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Ela, com toda a sua fé, foi usada por Deus. Em Mateus 1:5, nós encontramos o nome de Rute como uma descendente do Senhor Jesus. Deus a usou, para que servisse como descendente de Jesus, o nosso Salvador. A fé de Rute é um exemplo de confiança no Senhor que devemos seguir.

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