Tempo de crise, tempo de visitação divina.

1. Crise que vivemos, o que vivemos e que avistamos.

O alarme é geral, o desemprego chegou à grande nação do mundo; os EUA entraram em depressão, o seu presidente, homem de convicção, já reconhece o momento de recessão em que vivem. Há muito trabalho para Barack Obama e para muitos líderes do mundo. Todavia, o mundo já conheceu momentos difíceis como estes. Este é um momento de oportunidade missionária para a igreja. Não confundir com oportunismo espiritual, o que seria criar um clima de apocalipse espiritual, como já aconteceu em outros momentos da história. Consideremos o que escreveu Richard Owen Roberts acerca da situação mundial:
“Vivemos numa época em que muitas pessoas, dentro da igreja, estão zelosamente proclamando que o próximo evento no calendário de Deus é o fim do mundo. Sua oração mais fervorosa é: ‘Depressa, Jesus, volta para mim, e tira-me da confusão e podridão que é este mundo!’ Ao ouvi-las orando assim, dá até a impressão de que não têm um parente sequer que ainda não conhece Jesus, ou um vizinho ou colega que precise de conversão! Como alguém pode dizer que seu maior anseio é escapar de toda essa anarquia e da destruição vindoura, quando há pessoas a quem professa amar que estão perdidas, sem Cristo?
De vez em quando, ao pregar sobre avivamento, alguém vem argumentar comigo: ‘Você não entende, já não há mais tempo para avivamento! Já estamos no fim, no final do tempo do fim. A época de avivamentos já passou. Só falta mais um pouco de tempo, e tudo estará acabado!’
Bem, isso pode até ser verdade, mas eu não ousaria afirmá-lo. Nosso Senhor foi interrogado a respeito da época da sua volta e ele se recusou a dar uma declaração sobre isso. Limitou-se a dizer que era informação reservada somente ao conhecimento do Pai. Portanto, como algum pregador ou entendido em profecias poderia presumir que sabe mais do que o próprio Jesus?,O meu entendimento sobre a vinda de Cristo é o seguinte: precisamos todos viver, a todo momento, em constante prontidão; pois quando pensamos que não, aí é que o Filho do homem virá (cf. Mt 24.44). Eu me preocupo com esta simples ordem: ‘Negociai até que eu volte’ (Lc 19.13). Eu me recuso a ser atemorizado por aqueles que profetizam calamidade e insistem em que nossa única expectativa é pela vinda do juízo.
Uma parte dessa terrível confusão e engano é resultado da falta de compreensão da história. Uma das frases que ouvimos frequentemente é: ‘Nunca houve uma época tão escura como a nossa’. Isso é bobagem! Você sabe como era na época de George Whitefield na Inglaterra? Quando saiu da sua cidade para estudar em Oxford, ele sentiu um terrível peso de condenação por causa dos seus pecados. Procurou vários pastores e professores da faculdade, tentando achar um raio de esperança, alguém que pudesse apontar-lhe um caminho.
Não encontrou ninguém, até que conheceu Carlos Wesley, que o convidou para o Clube Santo. Porém, lá também, embora fossem pessoas sinceras à busca da verdade, estavam tentando se salvar através de boas obras. Ninguém ainda havia encontrado a verdadeira luz da salvação. Sem dúvida, hoje, por toda parte, há muito mais pessoas que conhecem a verdade e que poderiam apontar o caminho para quem estivesse buscando uma resposta do que naquela época!
Com isso, não estou dizendo que vivemos numa época boa nem que está tudo bem na sociedade ou na igreja! Só estou afirmando que não precisamos tentar pintar um quadro pior do que realmente é. Por que tentaríamos forçar uma perspectiva extrema de crise e perdição que ainda não existe na realidade? Hoje temos, no meio da indiferença e superficialidade entre os cristãos, muitos seguidores de Jesus que são sinceros e incomodados, pessoas que estão lutando com Deus em oração fervorosa, buscando com sede e perseverança uma nova visitação de Deus sobre a Terra e a Igreja. Já houve muitas épocas em que a situação foi menos promissora do que hoje.”
Por exemplo: o Nazismo, com o holocausto, etc…

2. Buscando soluções.

Há uma tendência de simplificação da vida cristã no nosso meio, uma verdadeira busca pelo sucesso, como se a carreira cristã pudesse ser medida da mesma forma que as carreiras profissionais seculares. Precisamos recordar o que Jesus ensinou: “Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará” (Lc 9.23-24). A este propósito é que aponto o que está escrito no Editorial da Revista Impacto, na edição nº 58 do ano 10:
A idéia de um segredo único e universal, que abriria as portas ao sucesso, à felicidade e à realização, fascina a humanidade há longa data. De a tempos tempos, alguém se levanta e proclama ter encontrado a chave. Apontando para vidas exemplares que triunfaram em meio a obstáculos e circunstâncias aparentemente impossíveis, mostra um caminho que afirma ser garantido a conduzir quem quer que seja ao mesmo sucesso.
Os resultados desses sucessivos convites ao longo dos séculos sempre seguiram um padrão semelhante. Um pequeno número de pessoas (considerando a totalidade da humanidade) é inspirado, motivado, desafiado, e acaba comprovando que a teoria realmente funciona. Para os demais, porém, o ‘segredo’ não funciona, ou porque as pessoas não acreditam e nem tentam, porque tentam de forma errada ou porque o segredo só dá certo para um número muito limitado de sortudos!
Até algum tempo atrás, a maioria dos cristãos convictos jamais se deixaria levar por um segredo que prometesse felicidade por meio da realização de sonhos materialistas; presumia-se que quem buscava vida eterna não podia colocar o bem-estar do aqui e agora como prioridade.
Faz algumas décadas, porém, que essa perspectiva está mudando pouco a pouco. Hoje, muitas igrejas e movimentos possuem uma versão própria do segredo – que inclui vocabulário e jargão cristãos e que conta, segundo acreditam, com o respaldo do próprio Deus.
Assim como ocorre no caso das versões seculares, entretanto, a chave mágica dos cristãos só funciona para algumas pessoas. Mesmo assim, seus defensores não se abatem. Os resultados positivos são amplamente divulgados e parecem comprovar a eficácia do caminho indicado. Afinal, se não funcionou para alguém, não é difícil achar uma explicação lógica: faltou fé, a chave não foi usada corretamente.
Para aqueles que desejam entender o contexto maior, o questionamento continua. Será que existe mesmo um segredo universal ou é apenas uma questão de sorte (ou predestinação)? Se de fato funciona para alguns, será que podemos entender, pelo menos em parte, por que funciona? E também por que não funciona para tantos outros?
Agrego, para enfatizar a perda do foco bíblico na trajetória da vida cristã, atualmente, parte do seguinte texto do pastor João de Souza Filho, publicado na Revista Impacto, na edição nº 58 do ano 10:
Sofismas Encontrados no Evangelho Atual.
Mesmo num breve artigo como este, podemos mencionar alguns dos muitos sofismas que entraram na mensagem do Evangelho.
Por exemplo, a fé tornou-se sinônimo de pensamento positivo de tal forma que uma pessoa é curada somente se tiver fé. Embora a fé, de fato, ajude pessoas a pensar positivamente, a erguer-se e a vencer, essa fé que se ouve pregar hoje não é a fé mencionada nas Escrituras. No texto de Habacuque (o justo viverá pela sua fé – Hc 2.4), o sentido é de que a pessoa sobreviverá à invasão do mal – do ataque dos caldeus – se permanecer agarrada ou ‘colada’ em Deus.. Fé tem o sentido de viver-se agarrado, preso (a Deus). Não importa o que aconteça, o cristão permanece firme. Doente, mas firme. Sem dinheiro, mas forte.
O sofisma entra e inverte a ordem: se alguém está doente, não tem fé; se está sem dinheiro, há algo de errado. Dessa forma, a fé tornou-se algo a ser conquistado. Quem tem fé é curado; quem não tem continua doente.
Ligada aos sofismas sobre a fé, aparece a mensagem de auto-ajuda. E há de diferenciar a auto-estima da auto-ajuda. Deus sempre ‘levanta’ a estima de uma pessoa que pensa negativamente sobre si mesma. Ao medroso, ele diz: ‘Não temas, homem valente’; ‘Esforça-te, tem bom ânimo’; ‘Eu sou contigo’ – porque a fonte da auto-estima é o próprio de Deus e não a fé ou pensamento positivo. A expressão de Paulo, ‘tudo posso naquele que me fortalece’ resume a capacitação humana que vem diretamente de Deus.
Na mensagem de auto-ajuda, o foco é sempre o homem e o que este pode fazer por si mesmo, por seu potencial; para tanto, basta repetir frases, ler os passos práticos para uma vida de vitória ou conhecer o ‘segredo’. Nesse sentido, a mensagem de auto-ajuda tornou-se um canal de prosperidade aos autores de livros e CDs, aos pregadores e conferencistas que despertam o potencial que existe em cada pessoa. O sofisma reside no fato de que o ‘potencial’ passa a ser o próprio homem e não o fruto de sua dependência de Deus. Aliás, o sofisma da capacitação humana descarta toda ajuda divina. Elogia-se o humanismo, porque o homem realiza feitos independentes da ação direta e da intervenção divina.
Vimos aqui que o consumismo afeta o Evangelho via várias interpretações de líderes, que, ou por ignorância bíblico-teológica, ou intenções materiais e projetos pessoas, usam o religioso para ter lucro. Recomendo que não percamos de vista o ensino de Paulo a seu discípulo Timóteo: “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1Tm 6.3-10).

3. Visitação Divina: Meio de restauração.

Na Bíblia, as visitas de Deus trouxeram cura, libertação, salvação. Isto o mundo, a igreja, cada um de nós precisa. Muitas vezes, como declarou Jesus a Jerusalém, chorando: “Porque não reconheceste a oportunidade da tua visitação” (Lc 19.44).
Quero direcionar esta busca da visitação de Deus e a restauração que a acompanha com frases bíblicas que nos reportam a momentos e nos fazem pensar:
“Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. E irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado”. (Lc 1.15-17);
“Disse João a todos: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. (Lc 43.16);
“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele. Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir”. (Lc 4.18-21);
“… mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. (At 1.8);
“Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”. (At 2.37-38);
“… agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus. Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus”. (At 4.29-31);
“Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne”. (Gl 5.16);
“Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão”. (Lc 13.24); “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. (Fp 3.13-14); “Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado”. (Hb 4.1).

4. De madrugada o crente vai buscar poder.

Sim, não há como a piedade popular que assume alguns preceitos bíblicos em frases como a que dá título a este item, ou a famosa “pouca oração, pouco poder, muita oração, muito poder”. Vejamos exemplos bíblicos disto:
Exemplos Bíblicos de Levantar Cedo
Abraão.
Tendo-se levantado Abraão de madrugada, foi para o lugar onde estivera na presença do Senhor. Gn 19.27
Levantou-se, pois, Abraão de madrugada… Gn 21.14
Jacó.
Tendo-se levantado Jacó, cedo, de madrugada… Gn 28.18
Moisés.
Disse o Senhor a Moisés: Levanta-te pela manhã cedo, e apresenta-te a Faraó… Ex 8.20
Moisés escreveu todas as palavras do SENHOR e, tendo-se levantado pela manhã de madrugada… Êx 24.4
Josué.
Levantou-se, pois, Josué de madrugada… Js 3.1
Então Josué se levantou de madrugada… Js 7.16
Gideão.
E assim sucedeu, porque, ao outro dia, se levantou de madrugada… Jz 6.38
Ana.
Levantaram-se de madrugada, e adoraram perante o Senhor… 1 Sm 1.19
Samuel.
Madrugou Samuel para encontrar a Saul pela manhã… 1 Sm 15.12
Davi.
Davi, pois, no dia seguinte, se levantou de madrugada… 1 Sm 17.20
Jó.
Chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos… Jó 1.5
Os apóstolos.
Logo ao romper do dia, entraram no templo… At 5.21
Maria Madalena.
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro… Jo 20.1
O Senhor Jesus.
Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava… Mc 1.35

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