Tu és pó e ao pó tornarás

Amada congregação do Senhor Jesus Cristo,

O nosso dever agora é falar sobre um assunto nada agradável: Nós vamos falar sobre o castigo que merecemos da parte de Deus. É um assunto nada agradável. Ninguém quer levar castigo. Ninguém quer apanhar. Por este motivo todos os criminosos sempre negam os crimes que fizeram. Eles arrumam advogados que devem mostrar que não há provas suficientes para condenar seus clientes. E se há provas, a maioria não desiste, e continua tentando escapar do castigo. Os assassinos alegam logo que não queriam matar, mas só o fizeram para defender-se. Ou dizem que não tinham a intenção de matar, mas que aconteceu porque a arma disparou automaticamente. Outra história muitas vezes contada é que aquele que cometeu o crime, não tinha consciência do que estava fazendo, pois estava bêbado. Assim todos inventam desculpas para escaparem do castigo. Pois ninguém quer ser punido. Porém, irmãos, falando agora sobre o castigo que nós merecemos da parte de Deus, não há como escapar. O assunto vai ser mesmo: “castigo”. A palavra chave no Domingo 4 é justamente esse: “castigo”, “castigo merecido”. Pergunta-se: “Deus deixa sem castigo a nossa desobediência e rebeldia”? Resposta: “Não. Deus quer castigar todos os nossos pecados por justo julgamento, agora, nesta vida, e na futura”. Por que Deus quer isto? Por que Deus quer castigar? O catecismo responde: “A justiça de Deus exige que o nosso pecado seja castigado”. Assim fica claro porque devemos falar sobre este assunto nada agradável: castigo. Nos Domingos anteriores o catecismo já mostrou que não somos capazes de cumprir a lei de Deus (Domingo 2) e que somos culpados (Domingo 3). Agora, no domingo 4, nós vamos encarar as conseqüências: Devido a nossa culpa, merecemos o castigo de Deus.

Ora, acabei de falar sobre criminosos e assassinos, que sempre tentam escapar do castigo que merecem. Talvez você tenha achado que é fácil demais apontar aqueles criminosos com o dedo. Pois desta forma, falando daqueles criminosos, nós próprios, que estamos na casa de Deus e que fazemos parte do povo de Deus, podemos nos sentir melhores do que eles. Falando dos outros, nós próprios não escapamos de qualquer acusação? Mas não foi essa a intenção. Pelo contrário! Aquilo que os criminosos mais perigosos fazem, nós fazemos também! No fundo somos iguais àqueles que cometeram crimes mas se recusam a assumir o que fizeram. Nós também temos a mania de negar os nossos atos perversos, tentando lançar a culpa sobre outros. Por exemplo, se ouvimos que não podemos cumprir aquilo que Deus exige na sua lei, logo pensamos ou até dizemos: “Como Deus pode fazer isto? Como é possível que Deus exige do homem, em sua lei, o que este não pode cumprir” (Domingo 4, primeira pergunta)? Ao invés de logo admitir a nossa culpa, admitindo que merecemos o castigo eterno de Deus, tentamos lançar a culpa sobre Deus. Ao invés de admitir que somos pecadores, assumimos a atitude de vítimas. Achamos que Deus exige demais. Alegamos que ninguém pode cumprir o que Deus exige. Assim somos nós. Somos fundamentalmente iguais aos criminosos mais perigosos, que também sempre são inclinados a negar a culpa que têm. Mas o catecismo deixa claro que não devemos reclamar de Deus. Ninguém deve dizer que Deus exige demais ou que a culpa é dele. Pois “Deus criou o homem de tal maneira que este pudesse cumprir a lei de Deus” (Domingo 4). Então, a culpa é de quem? Quem estragou tudo? Foi o homem. “Ele próprio, por sua rebeldia, privou a si mesmo e a todos os seus descendentes dos excelentes dons que tinha” (Domingo 4). Conclusão: o homem merece o castigo de Deus.

É bom vermos que o catecismo fala sobre o homem, incluindo todos nós. Não é assim que apenas alguns homens merecem o castigo de Deus. Não é assim que somente os piores são merecedores da ira de Deus. Não, o catecismo aponta cada um de nós, e com toda razão. Podemos achar que somos melhores do que outros. Podemos apontar a outros, achando que aqueles outros não prestam, enquanto nós próprios, sujando os outros, nos sentimos justificados. Porém, meus irmãos, esta atitude de achar-se mais santo ou mais justo do que os outros, não tem fundamento. Pelo contrário, aquele que se acha melhor, está enganado. O catecismo cortou este mal de alguém sentir-se melhor do que os outros logo pela raiz, dizendo: “Adão e todos os seus descendentes” se tornaram culpados e merecedores do castigo de Deus. Ouviram? “Adão e todos os seus descendentes”. Nós também somos descendentes de Adão, irmãos. Ou seja, a culpa do primeiro homem atingiu a cada um de nós. Isto faz sentido. Pois o pai que se tornou corrompido, ele perdeu a capacidade de gerar filhos puros e santos. O pai pecador se tornou uma fonte salgada, que não pôde produzir água doce. Pai pecador só gera filho pecador. Os nossos filhos queridos nem precisam aprender a pecar. Por natureza a disposição para pecar já está embutida neles. Por isso ninguém deve pensar que os outros merecem o castigo de Deus e que ele próprio está fora. Não, até o melhor entre nós, até aquele que sempre está na igreja, até aquele que realmente se esforça para servir a Deus, merece o castigo de Deus. Cada um de nós somos por natureza filhos desobedientes e rebeldes, como a Bíblia ensina em muitos capítulos e versículos. Cada um de nós temos corações corrompidos, e merecemos o fogo do inferno.

Agora, sendo culpados, mas não querendo levar o castigo de Deus, a nossa esperança poderia ser a seguinte: “Deus é amor. Ele perdoa tudo”. Esta defesa é uma defesa muito comum. Esta defesa ouvimos também da boca de pessoas que obviamente não temem a Deus. Muitas pessoas que têm uma consciência pesada, têm a esperança que Deus vai dizer: “Não vou castigar ninguém. O castigo é merecido, mas vou dar um jeito. Todos vão receber anistia total”. É isto que acontece muito em nossa sociedade. Há pais que deixam de castigar seus filhos. Ao ver as lágrimas deles, o coração de pai fala alto e o castigo merecido deixa de ser aplicado. A mesma coisa acontece também quando o juiz fica impressionado com a boa defesa de um advogado, que alega que seu cliente é da classe média alta, que seu cliente não tem antecedentes criminais e que seu cliente tem endereço e emprego fixo. Assim, em certos casos, os juizes podem deixar de aplicar o castigo merecido, deixando um criminoso cumprir uma pena muito pequena em regime semi-aberto. Mas será que Deus é assim? Será que Deus vai levar em consideração a classe social das pessoas? Será que Deus vai ser levado por emoções? Será que Deus é mole? Não, irmãos! Deus é justo. “Ele julga imparcialmente as obras de cada um” (1 Pedro 1: 17). Deus é justo e faz o que anunciou antes. Ele disse a Adão: “Da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2: 17). Assim Deus falou. Assim Deus deixou claro, de antemão, como iria ser a reação dele diante da rebeldia e desobediência do homem. O pecado do homem levaria à pena de morte, para Adão e para todos os seus descendentes. O próprio Deus confirmou isso, quando disse: Tu és pó e ao pó tornarás (Gênesis 3: 18)

O novo Testamento confirma que o nosso Deus não é o Deus da impunidade. Lembrem-se por exemplo das seguintes palavras do Senhor Jesus. Ele disse: “Quem não crê, já está julgado” (João 3:18). Então, Deus é um juiz justo, que aplica o castigo merecido. Agora, isto não é radical demais? Será que Deus é tão radical? Deus não tem prazer em perdoar? A Bíblia não diz que Deus não tem prazer na morte do pecador? A Bíblia não mostra em cada página que Deus é misericordioso? Deus não é amor? Sim, irmãos, que ninguém tenha dúvidas. Deus tem eterna compaixão. Deus é amor. Por esta razão Deus decidiu já antes da fundação do mundo salvar uma multidão de pessoas. Porém, a misericórdia de Deus não significa que Deus fecha os olhos diante do mal dos homens. Pois como o Deus santo poderia fazer isto? Como Deus poderia negar as ofensas feitas contra a santa majestade dele? Vejam só! Nós homens já ficamos chateados por qualquer coisinha. Uma palavrinha errada a nosso respeito, e já nos sentimos feridos. A nossa raiva é provocada muito fácil. Ficamos bravos por causa de um pequeno atraso, ou por causa de um valor mínimo. Nós, apesar de sermos pecadores e merecedores do castigo, temos o nosso orgulho e a nossa honra. Assim somos nós. Será então que o santíssimo Deus não pode ficar com raiva quando os pecadores ofendem continuamente e grosseiramente sua suprema majestade? Deus não tem o direito de irar-se terrivelmente contra o ódio e a inimizade de pessoas que foram criadas perfeitamente segundo a imagem de Deus? Claro que Deus tem esse direito! Por isso não vamos dizer que Deus é radical. Deus é justo. Ele é um Deus que cumpre o que disse.

É bom sabermos isso. É bom sabermos isso para que não cheguemos a viver uma vida leviana, uma vida cheia de falsidade e brincadeiras. Isto não seria bom. O bom é conhecermos a verdade, para que possamos agir ou posicionar-nos de uma forma adequada. Vou dar-lhes uma ilustração: Algum tempo atrás o Jornal Nacional trouxe uma notícia sobre um vulcão que quase tinha chegado ao ponto de entrar em erupção. As pessoas que moravam na proximidade daquele vulcão foram logo avisadas. Principalmente as pessoas que moravam lá em baixo corriam risco de vida. Então, todas elas foram avisadas. “Vão embora o mais rápido possível e deixem tudo para trás! Em qualquer momento o vulcão pode entrar em ação, matando todos vocês”! Mesmo assim alguns continuaram trabalhando no campo, bem pertinho do vulcão. Alguns faziam como se não existisse perigo nenhum e continuaram morando nas proximidades do perigo. Alguns negaram abertamente todos os avisos, expondo a sua vida e a vida dos seus queridos a um grande perigo. Irmãos, a nossa situação é, de uma certa forma, igual. O mundo tornou-se numa área de alto risco, quando Adão e Eva caíram em pecado e todos os seus descendentes se tornaram rebeldes. Desde então todos merecem o castigo eterno de Deus, porque todos pecaram. A ira de Deus é como um vulcão que pode entrar em ação em qualquer momento. Então, o que vamos fazer? Vamos continuar vivendo como se nada tivesse acontecido? Vamos continuar vivendo como se não tivéssemos recebido nenhuma notícia acerca do perigo?

É justamente isso que o povo fez nos dias de Noé. “O povo naqueles dias vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca; e eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos” (Mateus 24: 38-39). Todos aqueles que não perceberam nada e também não quiseram perceber nada, foram pegos de surpresa pelo castigo de Deus. Foi terrível. Noé tinha avisado antes. “Por meio da fé ele condenou o mundo” (Hebreus 11: 7). Mas ninguém levou a sério o que Noé disse. Todos foram mortos. Irmãos, que isto não aconteça com nenhum de vocês. Que nenhum de vocês seja pego de surpresa, depois de ser avisado. Que nenhum de vocês seja insensato. Percebam o perigo, devido ao castigo eterno que cada um merece. E tomem uma posição! Procurem a única solução que existe para escapar do juízo e da condenação. Busquem a Jesus Cristo, pois “o castigo que nós merecemos, estava sobre ele” (Isaías 53: 5). Ele é o caminho, a verdade e a vida. Então, meu irmão e minha irmã, você que vive carregado de pecado e culpa e que é merecedor do castigo de Deus, fuja para Cristo! Ele é a ressurreição e a vida (João 11), a única solução para pecadores que merecem o castigo de Deus. Desta forma, irmãos, o assunto desagradável de que falamos hoje, ainda pode ser de grande proveito para vocês. Pois tendo sido avisados acerca do castigo de Deus, tendo sido apontado pela palavra de Deus como pecador e merecedor do castigo eterno, dá para nós termos consciência da nossa situação e fugirmos para Cristo, escapando do castigo que merecíamos. Então, irmãos, abracem a Cristo, vivam perto dele, pois ele levou o nosso castigo! Assim vocês escaparão da condenação eterna e herdarão a vida.

Amém.

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