Você quer ser discipulos e Cristo.

O logos divino, a base para o discipulado.
Com um olhar focado nas escrituras, buscaremos destacar as realidades encontradas, que demonstram o pensar neo-testamentário sobre o discipulado. O novo testamento nos revela que, no inicio do discipulado, existe um elemento fundamental para que o mesmo ocorra na prática. Porém este elemento é posterior à vocação e ao Logos da vida, que nos confere o dínamo para exercer uma resposta a esta vocação.
Tendo como fato incontestável que a palavra de Deus, sendo pronunciada, é a geradora primária de todo o movimento discipulador, podemos destacar então, este, como o grande motivo pelo qual faz-se necessário observarmos antes do discípulo e do discipulado, a palavra de Deus sendo proferida “Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”Mt 4:19, sem a qual os outros dois, discípulo e discipulado, não existiriam. Só então, posterior ao logos, tem início todo o processo discipulatório, pois sem a vocação divina, não há discipulado. Posteriormente à vocação de Deus, surge então o elemento indispensável que citamos acima; este elemento é o segundo fator essencial para que a dinâmica do discipulado entre em movimento. Podemos percebê-lo no evangelho de Lucas, no capítulo 9 verso 23. Trata-se da transposição de uma ação monérgica da vocação em si, feita por Deus, para uma ação sinérgica, que envolve agora a pessoalidade do discípulo, onde lhe é dada a liberdade de expressar sua vontade dentro do processo de discipulado.

1. Seja feita a tua vontade.

“…Se alguém quer vir após mim,…” Lucas 9:23.As escrituras não nos mostram Jesus Cristo forçando ninguém ao discipulado, antes conferia àqueles que eram candidatos a aprendiz de Cristo, uma decisão moral livre, ou seja, para que o discipulado ocorresse de fato, o indivíduo teria que querer, caso contrário não haveria discipulado.
Isto é o que deixa claro Jesus quando diz: “…se alguém quer…”, sabemos que Deus pode todas as coisas, e que sua vontade não pode ser contrariada, afinal de contas Ele é Deus. Mas Deus revelado em Cristo Jesus, não violenta vontades, antes, revela-se um cavalheiro, e mesmo tendo todo poder, abre mão dessa condição, para ouvir a vontade do fraco. E saber se ele quer ser seu aprendiz, para dar início ao discipulado.

2. A honestidade da vocação.

Tendo como parâmetro ainda o texto de Lucas 9:23, podemos destacar outra característica importante que os evangelhos nos mostram, como fator fundamental do discipulado. Esta característica, está intrinsecamente ligada ao caráter de Jesus Cristo o filho de Deus. Trata-se de sua honestidade em relação à vocação. Jesus não usa de expedientes de convencimento, e nem fantasia, ou recorre ao glamour que poderia representar um mestre como Ele, se dedicando a homens comuns, com o objetivo de angariar mais discípulos, definitivamente não.
Antes, Ele se apresenta como alguém desprovido de glória humana quando diz: “…o filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” Lucas 9:58 e antecipadamente à qualquer esboço do candidato, o real preço do discipulado é manifestado, “…Negue-se a si mesmo…”Lucas 9:23, para que ninguém venha por engano, ou não possa avaliar corretamente o que uma resposta positiva ao discipulado significaria. Seguir a Cristo e seguir a si mesmo são duas impossibilidades, muitas vezes, obedecer à Deus significa desobedecer a nós mesmos, por isto, não existe a possibilidade de ser discípulo de Cristo sem negar a si mesmo.
Negar nossos sonhos, projetos pessoais, conforto, popularidade, realização profissional, família e negar a própria vida, isto é somente para aqueles que não têm vida em si mesmo, aqueles cujo a vida é Cristo, para que não haja glória no negar-se. Sobre isto Bonhoeffer diz:
“Por isso: bem-aventurado! Jesus dirige-se aos discípulos (conforme Lucas 6.20ss), fala aos que já estão sob o poder de seu chamado. Este chamado os tornou pobres, atribulados e famintos. Jesus os declara bem-aventurados, porém, não por causa de sua carência ou por causa de sua renúncia. Nem a carência e nem a renúncia são, por si só, causa da bem-aventurança. Porém, motivo suficiente é o chamado e a promissão em conseqüência dos quais os discípulos vivem em carência e em renúncia.
A observação de que, em algumas bem-aventuranças, se faz menção da carência, em outras, da renúncia consciente, ou ainda de certas virtudes dos discípulos, não tem importância. A carência objetiva e a renúncia pessoal tem sua origem comum no chamado e promissão de Cristo. Nenhuma delas tem valor e direito a reivindicações por si só.”

3. Humildade e serviço, características do verdadeiro discipulado.

Continuando nosso olhar pelos evangelhos, podemos destacar também como características do discípulo, para um verdadeiro desenvolvimento do discipulado, o fato de que sempre o mestre será maior que o discípulo, e qualquer sentimento ou ação que o discípulo desenvolva no sentido que o faça parecer mais elevado que seu mestre inviabilizara o discipulado. “O discípulo não é mais do que seu mestre, e nem o servo maior do que o seu senhor.” Mateus 10:24.
O que o contexto deste texto esta nos dizendo? Quando lançamos nossos olhares para os versículos anteriores, e também para o verso 25, percebemos que não adianta o verdadeiro discípulo esperar por tratamentos diferenciados, ou mais elevados, com relação aos que o mestre recebeu.
A bíblia é enfática em nos alertar que o caminho do discipulado leva ao caminho percorrido por Cristo. Fica, portanto impossibilitado ao discípulo, não colher os mesmos frutos que seu mestre colheu pelo caminho, se de fato o discípulo está nas mesmas pegadas de Jesus. “Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como o seu senhor.Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus servos domésticos.” Mateus 10:25.
Se somos discípulos de Cristo, teremos que nos acostumar com as injúrias, as perseguições, a oposição dos religiosos, dos amantes do tradicionalismo, como conseqüência do discipulado, “…ai de vós, quando todos de vós, falarem bem….”, caso contrario, é um forte indício de que não estamos sendo discípulos de Cristo, pois aprender de Cristo e manifestar na vida prática seus ensinamentos, é expor toda a malignidade do sistema religioso e do curso deste mundo, e não se pode fazer isto, sem que não haja oposição.
Este, “Basta ao discípulo ser como seu mestre…” , é indicativo de que se estamos aprendendo de Cristo, como Ele diz, “…aprendei de mim…” Mateus 11:29, não podemos esperar tratamentos ou frutos diferentes. E também há aqui uma definição do ser discípulo, toda ação e energia empregadas pelo discípulo devem ser colocadas nesta direção. O discípulo deve aspirar, ainda que isto seja um processo, ser como seu mestre, e isso basta. O que aparentemente, pode ser interpretado como uma ambição, no que se refere às aspirações do verdadeiro discípulo em se parecer com seu mestre, fica imediatamente descartada, ao olharmos para o Mestre, em questão, ou seja, Jesus Cristo.
Os evangelhos nos mostram Jesus Cristo como alguém muito singular, e totalmente diferente da idéia de mestre de sua ou de qualquer época. Fica bem claro isto quando fazemos à conexão, entre o texto de Mateus 10: 24 e 25, com o texto de João 13:12 a 17, estes dois textos trazem em comum o mesmo ensinamento “…o servo não é maior que o seu senhor…” v.16.
Porém, a contribuição que os escritos de João nos trazem para o discipulado, se dá pela amplitude revelatória do caráter e missão do mestre em questão. Ser discípulo de Cristo é crescer para menos, e ter o serviço ao próximo, motivado pelo amor, como imitação plena daquele que é o único e verdadeiro Senhor e Mestre.
Portanto fica inviabilizada qualquer jactância, visto que, aspirar ser como o mestre, é aspirar por ser servo de todos. É dar sua vida para que a vontade de Deus se cumpra, é amar o inimigo e orar por aqueles que nos perseguem. E isto só é possível para aqueles que foram golpeados de morte pela cruz, que morreram em Cristo, “Estou crucificado com Cristo” Gálatas 2:19, e que receberam a vida de Cristo na sua ressurreição. Se você confessa a sua morte com Cristo, isto não pode ser algo dogmático, fruto de uma confissão vazia, mas pela graça de Deus deve ser uma experiência de fé e prática, “Porque assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta”. Tiago 2:26 .

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